Como vejo a Política

Por Felipe Salto

Muitos me pediram orientação sobre o voto neste domingo. Há um sentimento geral de desesperança, causado pelo lodo de corrupção que veio à tona nos últimos anos. A impressão é uma só: “todos são farinha do mesmo saco e, neste caso, para que me preocupar com política?” Discordo dessa avaliação e mostrarei os motivos para termos esperança e voltarmos a trabalhar pelo país com que sonhamos.

Numa democracia, os representantes eleitos são uma emanação da própria sociedade. É claro que o modelo de eleição e de representação pode distorcer esse espelho. Olhamos, muitas vezes, e não vemos o esperado: a imagem fidedigna dos anseios da sociedade. Vemos, na verdade, políticos sujos, valores e princípios distorcidos e uma espécie de maquiagem cobrindo tudo. Mas ainda assim, algo de nós está ali.

Os partidos existem para congregar pessoas que pensam de maneira similar e que, juntas, possam construir um projeto de país e submetê-lo ao julgamento da sociedade nas eleições. Nada parecido com as legendas que temos hoje. Parte desses partidos transformou-se em espécie de bonde alugado para oportunistas, gente da pior espécie, sem propósito e dignidade. Há, contudo, muitos políticos bons, gente séria. Vejo isso em Brasília, em São Paulo e em Laranjal.

É nosso o dever de reverter esse quadro. Não falo apenas de caras novas na política. Claro que elas também são importantes. Vejo amigos tomando coragem e candidatando-se à vereança, por exemplo. A renovação é importante. É parte do processo de depuração por que estamos passando. Mas é preciso ir além.

A política nos trouxe até aqui e é através dela que vamos construir uma saída. Negar a atividade político-partidária, execrar tudo que é público, condenar o Estado e suas atividades? Tudo isso só reforça o problema. Não ajuda. Não ajuda em absolutamente nada.

Há bons partidos, com gente séria, com ideologia pela qual vale a pena lutar, com espaço democrático para o debate e a possibilidade de construção coletiva de soluções para os problemas sociais. Cabe a nós o engajamento, a participação, a mobilização, a capacidade de reinventar a atividade política.

Aprendi que o Estado é a Lei, o conjunto de regras estabelecidas por uma sociedade, a Constituição somados aos burocratas e aos políticos eleitos, que executam esses anseios postos pela sociedade. Vejam como é nobre a atividade política. É através dela que esses objetivos coletivos são redesenhados e/ou reafirmados. É através dela que eles são garantidos, que eles viram realidade.

Abdicar da política é abdicar da vida em sociedade. Mesmo os mais afeitos a ideologias que têm o indivíduo no centro não vão negar a importância da atividade política. Mesmo estes buscam o poder para executar o plano que julgam como o melhor para o país, ainda que com menor peso para a ação do Estado na redução de desigualdades e na promoção do bem-estar social. É legítimo.

As eleições municipais, amanhã, vão nos trazer de volta a importância dessas reflexões. É com mais política, mais partido e mais participação – e não apenas críticas – que conseguiremos reerguer nossas cidades, nossos estados e nosso país.

Escolham seus candidatos de maneira consciente, procurando obter o máximo de informação a respeito de sua vida, suas ideias e, principalmente, seus valores. Não acreditem naqueles que vendem soluções que envolvam a negação da política. São curandeiros, ilusionistas – alguns realmente bons na arte Mandrake. Outros, de quinta categoria.

Como cristão, acredito que sempre é possível buscar a redenção, o perdão e, a partir disso, a reconstrução de algo novo, sem negar o que de bom trazemos do passado. Como economista, acredito que é possível fazer política com mais eficiência e eficácia. Eficiência: fazer mais com o mesmo. Eficácia: atingir o objetivo proposto em determinada política pública ou ação do Estado de maneira plena.

Não vamos jogar o bebê – este lindo bebê que nos sorri inocentemente e com esperança em tudo que está por vir – junto com água suja do banho. Sejamos sensatos. Vamos estudar mais, buscar números, informações, análises e, principalmente, ouvir o que as pessoas, sobretudo os mais pobres, mais dependentes do Estado, têm a nos dizer.

Sou um otimista e quero muito que vocês me sigam nessa empreitada – a de acreditar em um país mais justo socialmente e desenvolvido economicamente. Há muito trabalho pela frente. A política está no cotidiano de todos nós. Basta deixarmos um pouco de lado a “correria” no cuidado com o nosso umbigo e olharmos para os lados.

Boa eleição a todos! Boa sorte aos candidatos de boa índole e com bons projetos!

2 thoughts on “Como vejo a Política

  1. Felipe, linda defesa da política (quando sincera e honesta), bela lembrança da existência de políticos íntegros e com boas ideias. Só ficou uma coisa de foram – a má qualidade da massa eleitoral. Vamos sim analisar, refletir, tentar fazer o melhor. Mas infelizmente o eleitor que elege, o número que conta, nem vai ler seu blog, e se lesse não entenderia.

  2. Excelente artigo Felipe Salto. Concordo com tua forma de pensar. Acredito que o mais importante neste momento é que entrem pessoas novas no processo político, com atitudes novas e que acreditem que é possível mudar isso que está ai. E principalmente que entendam e acreditem na Democracia.

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