Reajustes salariais com que dinheiro?

Afora pedaladas e decretos não autorizados, o maior erro do PT foi governar como se os recursos fossem infinitos. Emprestou para empresários ricos a juros subsidiados, aumentou salários e contratações de servidores, ampliou gastos obrigatórios e torrou, assim, a arrecadação do período da bonança.

O quadro fiscal, hoje, é o mais grave da história. A dívida bruta está em 70% do PIB e o governo paga para refinanciá-la 8% de juros reais mais a inflação. O déficit primário está em 170 bilhões de reais e, quando contabilizados os juros, temos um déficit nominal de mais de 600 bilhões de reais.

Nesse contexto, com que dinheiro o Congresso quer pagar os reajustes que estão sendo votados e aprovados? Ora, se há deficit, isso significa que não existe receita excedente depois de pagos todos os compromissos do governo. Ao contrário, faltam recursos. O buraco é coberto com novas emissões de títulos públicos a juros estratosféricos.

Por essa razão, qualquer real adicional contratado com a aprovação de reajustes salariais exigirá, necessariamente, aumento na mesma proporção em dívida pública ou em criação e/ou aumento de tributos. É isso o que deseja a sociedade? Dar reajustes à parte mais abastada da burocracia pública?

Não se trata de impedir para sempre a discussão sobre questões salariais, que em “condições normais de temperatura e pressão” têm de ser feitas caso a caso. Trata-se de brecar TODOS os reajustes – ou máximo possível – até que o país se recomponha e trate a ressaca. A festa acabou. Chega de tentar tapar o sol com a peneira.

O governo e o Congresso precisam firmar um compromisso com a coletividade e não mais com grupos que se unem para achacar o Erário. Por que tanta deferência a este e àquele grupelho e tanto desprezo pelos interesses da coletividade?

Nesta quarta (24 de agosto), foi a vez dos defensores públicos. Hoje com salário inicial de 17 mil reais, essa categoria de servidores foi agraciada com um aumento de mais de 11 mil reais, passando agora a um salário inicial de carreira de mais de 28 mil reais. Um aumento de 65%!

Já imaginaram pedir isso aos seus chefes? O que eles diriam a vocês se demandassem algo do gênero em meio ao caos vivido pelo país e pelas empresas?

Pois é, caros leitores. Nesta quarta, parte da classe política fez acordo para votar a prorrogação da desvinculação das receitas da união – a DRU, pretendida pelo governo, colocando como condição a votação desses reajustes para a defensoria. Pediram, na cara dura, a aceleração da votação.

Que lástima… Uma vergonha sem fim. Um desrespeito à sociedade, aos milhões de desempregados, aos assalariados de todo o país e ao povo em geral, que assiste à alocação dos recursos públicos da maneira mais injusta que se poderia imaginar.

Felizmente, temos ainda bons políticos, com espírito público e coragem suficientes para lutar pelo bem comum, e não pelo inchaço da conta bancária da elite do funcionalismo público. Um deles é o senador José Aníbal. Vejam a seguir a íntegra de seu discurso.

One thought on “Reajustes salariais com que dinheiro?

  1. Eu acompanhei pela TV Senado a discussão e votação, que horror…apenas alguns parlamentares se mostraram responsáveis, a maioria do PSDB…mas precisava mesmo aprovar a DRU e agora a DREM?? Pelo que vi da proposta do teto de gastos, há também o fim das vinculações…Então, desvincular o que em breve será desvinculado não tem mais sentido…ou ainda vai restar alguma vinculação???

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