Construindo a alternativa

Ao longo de 2014, reuni um grupo de amigos interessados em dar colaborações à formulação de uma agenda de desenvolvimento para o país, isto é, um programa de governo a ser apresentado pela oposição.

Discutimos economia, políticas públicas, reforma do Estado e temas correlatos. Trouxemos grandes economistas, cientistas políticos e empresários para debater conosco, o que gerou importante mobilização.

Contamos com o apoio da Professora Gilda Portugal Gouvea, que abriu o Centro Ruth Cardoso para nossas atividades, além do deputado Arnaldo Madeira, do Samuel Pessôa e do Armínio Fraga.

Foto: Encontro com os ex-ministros Mailson da Nóbrega e Antônio Delfim Netto, o ex-deputado Arnaldo Madeira, o economista Mansueto Almeida e a professora Elizabeth Farina em outubro de 2014.

Dessa empreitada, nasceu a iniciativa “Construindo a alternativa”. Nosso  objetivo é elaborar propostas de políticas públicas concretas a partir de diretrizes básicas,  valores e crenças compartilhadas pelo grupo, sempre com orientação social-democrata.

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Fotos: A) Encontro do grupo com o ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga, o economista Marcos Lisboa e o professor José Márcio Rego em julho de 2014. B) Encontro com Edmar Bacha, um dos pais do Plano Real,  em julho de 2014.

Em dezembro, já munidos da ideia de dar continuidade ao grupo de trabalho, organizamos um seminário com José Arthur Giannotti, professor emérito do Departamento de Filosofia da USP.

Na ocasião, discutimos o que é “democracia” e “o que é social-democracia”. Redigimos, a partir da experiência dos últimos meses e deste encontro de encerramento das atividades de 2014, um texto que resume nossas ideias e compromissos.

Fotos: Encontro com Professor José Arthur Giannotti, no Centro Ruth Cardoso, em dezembro de 2014.

No Facebook, é possível acompanhar nossa página, comentar, participar, tomar conhecimento dos eventos presenciais, dar sugestões, enfim, participar! Nosso empenho deve ser crescente na busca da construção de um novo programa para o Brasil.

Sem desenvolvimento econômico, dificilmente conseguiremos transpor a barreira da desigualdade de oportunidades que remanesce em nosso país.

Acesse aqui nossa página “Construindo a alternativa” e leia a seguir o texto-manifesto:

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Construindo a alternativa

Pensando e construindo a alternativa social-democrata, desde já, com propostas concretas derivadas de diretrizes gerais, este grupo ajudará a colocar o país nos trilhos da transparência e da melhoria de vida de seus cidadãos e cidadãs. 

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Das ruas, emana o grito que será transcrito na partitura de uma nova canção pela mudança. Sozinho, o Estado já não é capaz de dar respostas à altura das demandas sociais.

A esperança reside na construção de uma alternativa viável, forjada a partir dos esforços e das ideias de cidadãs e cidadãos que – apesar de incansáveis defensores da igualdade e da democracia, como método e como valor em si mesmo – vêm sendo tratados como inimigos públicos pelo simples fato de discordarem de iniciativas petistas.

Vivemos, hoje, uma realidade dura, marcada pela destruição de postos de trabalho, pela forte desaceleração dos salários e pela recessão econômica combinada com inflação alta.

Como solução, novos incrementos na carga tributária já são planejados para 2015, sem prestação de contas, sem transparência, sem capacidade de entrega de políticas públicas com foco nas necessidades das pessoas. Dizer que as prioriza, como faz o atual governo, não é suficiente para melhorar as suas vidas e assegurar o bem-estar das próximas gerações.

A indústria amarga, desde o fim da crise de 2008, uma trajetória de estagnação, a balança comercial aprofunda-se no campo negativo e, assim, cresce a vulnerabilidade do país no cenário internacional. Fechar-se ainda mais não é uma alternativa.

Os desarranjos da política fiscal e da gestão do Estado transformaram-se nas principais regras do jogo.

A dívida pública aumentou, desde 2010, quase 9 pontos percentuais do PIB, limitando as possibilidades de financiamento saudável das políticas sociais e das ações no campo do desenvolvimento.

O governo nos apresenta, sem o menor pudor, um ajuste amargo e que recairá sobre os bolsos dos mais pobres. As autoridades competentes não possuem o diagnóstico adequado e, por óbvio, erram na estratégia para combater os males que nos afligem. O alcance da visão dos pretensos donos do poder não ultrapassa o horizonte das próximas eleições.

Os problemas estruturais da economia nacional, como a falta de competitividade diante dos demais países emergentes, o derretimento dos preços das commodities exportadas pelo país e a dependência da poupança externa nos recolocam diante dos mesmos problemas de 25 anos atrás.

O déficit em conta corrente avança para 4% do PIB e aumentamos a dose de juros para fazer frente às necessidades de atração de dólares que, pelo menos, paguem as parcelas das dívidas que fizemos na época da bonança.

Sobrou pouco espaço para expandir os investimentos, a produção, o emprego de boa qualidade e a renda média do país.

Não é preciso ser economista para chegar a essa conclusão. Hoje, o PIB per capita figura em US$ 12 mil, enquanto os países desenvolvidos apresentam patamar 4 vezes superior.

O atual governo nos amarrou à mediocridade.

A construção da alternativa é imperativa.

É necessário, antes de tudo, não taxar críticos como vilões, deixando que a liberdade de expressão incentive a disputa de ideias e, portanto, a construção de alternativas criativas e, realmente, democráticas.

A partir disso, é necessário:

1. reforçar e aprimorar os programas sociais de transferência de renda com condicionalidades, mas criar portas de saída para os beneficiários, sendo um caminho possível o estímulo ao empreendedorismo;

2. expandir a inserção da economia nacional nas cadeias globais de valor, ampliando a competitividade da indústria nacional e combatendo a destruição de empregos, que vem ocorrendo, marcadamente, neste setor crucial para o desenvolvimento da nação;

3. investir em educação de qualidade, com precisão, multiplicação das boas práticas e transparência no direcionamento dos investimentos e recursos para esta área;

4. reduzir fortemente o crescimento dos gastos correntes, incluindo os gastos com o funcionalismo, que continua recebendo reajustes elevados diante das fortes restrições vividas pela economia nacional;

5. simplificar o sistema tributário, a começar pela reforma do ICMS, o que permitirá combater as práticas que compõem a guerra fiscal – instituto sórdido que ilude os estados mais pobres e torna os estados ricos mais ineficientes;

6. repensar o papel dos bancos públicos, ampliando as linhas de crédito subsidiado para iniciativas onde houver efeitos positivos multiplicadores que as justifiquem; porém, de maneira transparente, em respeito ao orçamento público e, portanto, à sociedade;

7. estabelecer novas diretrizes na política fiscal, que permitam reduzir a relação de endividamento público como porcentagem do PIB, isto é, fixar metas para o resultado primário, mas também para o resultado nominal do setor público (resultado primário menos despesas com juros);

8. criar as condições econômicas para a forte redução dos juros reais – naturalmente, a médio prazo – como resultado do desmonte de uma estrutura econômica que utiliza a valorização do real para manter domada a inflação (ainda que tenha escapado, mesmo assim, das mãos do governo) e que legitima a deterioração das finanças do Estado;

9. adotar o voto distrital, por etapas, a começar pelas eleições de vereadores nas grandes cidades, o que permitirá ter um Legislativo mais representativo e próximo dos cidadãos, condição necessária à pavimentação de outras mudanças sociais e econômicas;

10. retomar a agenda da reforma gerencial do Estado, que foi iniciada no governo do presidente Fernando Henrique Cardoso, e que foi abandonada por falta de convicção e apreço pela consolidação da República.

11. estimular a concorrência de forma isonômica, princípio basilar que deve ser reforçado no atual contexto, no qual as influências políticas são mais fundamentais do que a produtividade na determinação do sucesso das empresas;

12. restabelecer regulação eficiente e independente, que entenda o papel fundamental do setor privado no desenvolvimento econômico e estimule os investimentos produtivos, com regras claras e estáveis.

One thought on “Construindo a alternativa

  1. MANIFESTO MAMELUCO AFRO BRASILEIRO ! ! !

    Forjada no entre choque cultural de diferentes matrizes genéticas, étnicas, indígenas, europeias e africanas, de acordo com as palavras do griô Darcy Ribeiro, nasceu a raça brasileira. Só a antropofagia nos une socialmente, economicamente e filosoficamente. Tupy ou não tupy, eis a questão, manifesto antropofágico pós semana de arte moderna de 1922 de Osvald de Andrade.

    A raça mais antropofágica do planeta foi forjada neste solo americano onde nós aqui estamos . Primeiro estavam os índios, depois chegaram os portugueses que trouxeram os negros africanos, depois foram trazidos os imigrantes para engrossar o caldo brasileiro. Todos os que aqui chegaram tiveram sua culturas e almas devorados, do ameríndio ao europeu, do africano ao asiático fizeram e ainda fazem digestão e excreção deste alimento, ensopado de homo sapiens com diferentes temperos multiculturais. Ao ser digerido em nosso estômago o ensopado se constitui nos nutrientes de nossos corpos culturais.

    Somos a poesia periférica e antropofágica de Sérgio Vaz, o além do homem que Nietzche não conheceu. Já fizemos antropofagia e agora reprocessamos a auto antropofagia, fazemos antropofagia de nós mesmos; não comemos nem bebemos da cultura de fora porque já provamos seu sabor. Comer e beber de uma única fonte não nos interessa. Somos vorazes e queremos pratos diversos e sabores combinados. Trocamos ideias com Buda, Jesus, Maomé, Zaratrusta sem perder amizade com nenhum deles. Somos o partido alto, o pós-contemporâneo brasileiro, somos a linha de frente mameluco afro brasileiro. . .

    Autoria:
    Everson ìndio
    Wesley Nóog
    Gaspar Záfrica Brasil

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