A história de êxito que Dilma quer destruir

O governo do presidente Fernando Henrique Cardoso – ao contrário do que prega a candidata do PT – modernizou o país e criou as bases da estabilização e da inserção do Brasil na economia mundial

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Do Plano Real, em 1994, ainda no governo do presidente Itamar Franco, aos anos do presidente Fernando Henrique Cardoso, que se encerraram em 2002, o Brasil passou por importante reestruturação na ordem econômica. Trata-se de mentira deslavada, pois, a afirmação da candidata do PT, Dilma Rousseff, de que o país teria “quebrado três vezes no governo tucano”.

Em verdade, o país tornou-se, com a modernização promovida na economia e no Estado, uma nação pronta para crescer ainda mais e para distribuir renda e riqueza com maior vigor.

Este é o problema dos petistas: só enxergam verdade e êxito onde está pregada a estrela de seu partido. Quanto ao resto, execram, repudiam, difamam, mesmo sabendo que os 12 anos de governos petistas foram beneficiados pelas reformas realizadas sob a liderança do PSDB.

Em 1995, o país conseguiu voltar ao mercado internacional de capitais e retomou as emissões de bônus negociáveis – um fato histórico.

A conquista da estabilidade, ainda no governo anterior, mas já pelas mãos de FHC, no Ministério da Fazenda, abriu espaço para que o país iniciasse a reconstrução da credibilidade perdida nas décadas anteriores, após longos anos marcados pelo fantasma da inflação.

Os fluxos de bons investimentos estrangeiros passaram a fazer parte da nossa realidade, algo inédito para o Brasil. Os investimentos estrangeiros diretos, conforme dados do Banco Central, passaram de US$ 2,1 bilhões, em 1994, para US$ 32,8 bilhões, em 2000, encerrando 2002 a US$ 16,6 bilhões – patamar equivalente a quase 8 vezes ao de 8 anos atrás.

É um feito impressionante, já que, mesmo diante da crise argentina (2001) e da apreensão do mercado quanto à eleição do presidente Lula (2002), os fluxos de dólares com a finalidade de investir em empreendimentos produtivos se mantiveram firmes na direção do nosso país.

IED

No âmbito da política monetária, adotou-se um regime de controle da inflação baseado em metas anuais, a partir de 1999, com a garantia da autonomia operacional ao Banco Central, para que se pudessem cumprir plenamente os objetivos fixados pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).

Nas finanças públicas, o governo aprovou a Lei de Responsabilidade Fiscal (lei complementar nº 101/2000), que permitiu ao país avançar ainda mais nos anos seguintes.

A inflação média anual, no governo do PSDB, foi de 9,1%, quando calculada pelo IPCA. Nos oito anos imediatamente anteriores, a inflação média anual havia ficado em 1.059,4%.

Em 1993, um ano antes do Real, a inflação encerrou o exercício a 2.477,1%, reduzindo-se a 916,4% (1994) e a 22,4% (1995), já no término do primeiro ano de governo do presidente FHC. Evidentemente, o Plano Real matou o dragão. As medidas tomadas ao longo do governo do PSDB, contudo, foram complementos essenciais à manutenção dessa conquista.

Por exemplo, sem a adoção do regime de metas para a inflação – hoje tão desrespeitado, na presença de um governo que privilegia o experimentalismo e dá as costas às conquistas do passado – teria sido impossível manter uma inflação baixa por tanto tempo.

O desafio maior, agora, é reduzir a inflação ainda mais, o que só poderá acontecer quando o país voltar a primar pela responsabilidade nas contas públicas e pelo manejo coerente e técnico da política monetária.

IPCAIPCA

Quanto à solvência externa, o Brasil tinha uma dívida bruta, ao final de 1994, da ordem de 27,3% do PIB, reduzida a 20,7% do PIB já em 1995.

A crise da Ásia e a crise da Rússia, no entanto, promoveram mudanças importantes neste quadro. O indicador foi a 28,6% do PIB, em 1998, e a 41,2% em 1999, ano em que foi abandonada a chamada âncora cambial, para que se compusesse o sofisticado modelo de gestão da política econômica pautado na flutuação cambial com independência da política monetária e maior responsabilidade fiscal.

A dívida externa bruta do setor público, contudo, reduziu sua participação na dívida total, denotando grande esforço do governo diante do quadro adverso. Em 1994, a dívida pública representava 73,0% da dívida externa bruta total e, em 2002, estava em 59,4% da dívida total.

DÌVIDA

Não há indício, portanto, de insolvência externa, no período, isto é, de incapacidade de financiamento das necessidades do país perante o resto do mundo. Ao contrário, houve uma forte capacidade de reação às diversas crises que se instalaram no quadro internacional.

O país conseguiu manter um bom ritmo de crescimento do investimento estrangeiro direto, reduzir o endividamento bruto como proporção da dívida total e ainda garantir uma evolução controlada dos resultados dos fluxos de entrada e saída de dólar para o país, como mostraremos, lançando mão do bom uso das reservas em situações críticas.

O saldo em conta corrente e os fluxos de capitais são os dois componentes do chamado balanço de pagamentos. Já mostramos que os investimentos externos cresceram, no período, contrariando a visão negativa que a presidente Dilma insiste em repetir para qualificar, de maneira desonesta, o período que o PSDB governou o país.

Agora, apresentaremos a evolução do saldo em transações correntes (exportações de bens e serviços menos importações de bens serviços somada ao saldo das entradas e saídas das rendas recebidas e envidas ao/do exterior).

Esse é o indicador relevante para identificar se o país está crescendo com recursos advindos de outras nações, isto é, com renda poupada por outros países (caso em que há déficit em conta corrente, podendo haver o financiamento necessário ou não) ou se nós é que estamos financiando parte das necessidades de consumo e investimento do resto do mundo (superávit).

Ganhamos credibilidade junto aos investidores internacionais e pudemos crescer, pelo canal externo, no período 1995 a 2003, a uma média muito similar à dos países latino-americanos (ao contrário do que ocorre hoje, quando os países irmãos crescem 3 vezes mais do que nós). Não fossem as crises que acometeram o Brasil e o mundo, teríamos nos saído ainda melhor, no período tucano, e, com um detalhe, sem descuidar da inflação (o que não acontece no governo da presidente Dilma).

O déficit em conta corrente, em 1994, figurava na casa de US$ 1,8 bilhão e passou a um saldo da ordem de US$ 33,4 bilhões, em 1998, reduzindo-se a US$ 7,6 bilhões no último ano do governo. No período, os investimentos estrangeiros diretos, como discutimos anteriormente, evoluíram fortemente, financiando boa parte destes resultados.

Em 1994, esses investimentos produtivos totalizaram US$ 2,1 bilhões, passando a US$ 28,9 bilhões, em 1998, e a US$ 32,8 bilhões em 2000, repito. Mesmo ao final do governo, quando o risco-país havia crescido fortemente em razão da apreensão dos mercados derivada da probabilidade crescente de eleição do PT, os investimentos ainda totalizaram US$ 16,6 bilhões (2002).

Havia, portanto, fluxo suficiente de recursos de boa qualidade para fazer frente ao avanço do déficit em transações correntes, isto é, ao financiamento das transações dos residentes no país com os não residentes, incluindo o saldo da balança comercial, como definimos acima. Neste ponto, é preciso lembrar que o governo FHC tomou medidas importantes em prol da abertura comercial, isto é, da inserção da economia brasileira no mundo (direção que, hoje, o governo Dilma refuta, afundando o país no protecionismo custoso e ineficiente).

Isso explica os resultados deficitários não financiados, integralmente, por investimentos estrangeiros diretos, em um primeiro momento (ver gráfico a seguir, que apresenta a soma destes fluxos ao resultado das transações correntes), mas que, paulatinamente, passaram a convergir para números menos negativos até atingirem o campo positivo em 1999.

Outros fluxos, como empréstimos e financiamentos, capitais de curto prazo e mesmo as reservas foram úteis para “azeitar” essa dinâmica enquanto consolidávamos a economia brasileira em um novo patamar, preparando-a para crescer com mais força no futuro próximo.

IED2

A respeito das reservas (outro importante indicador para avaliar a solvência externa), consideraremos sua relação com a dívida externa bruta total. O que se evidencia, logo ao início do governo FHC, é uma trajetória de alta importante protagonizada por este indicador (reservas/dívida), que saltou de 26,2% (1994) para 33,4% (1996), reduzindo-se fortemente em seguida, no entanto.

Isso se explica pelas crises que levaram a saídas de investimentos de curto prazo do país, ainda que os investimentos diretos tivessem preservado sua trajetória crescente. O fato é que a escassez relativa de recursos levou à redução das reservas para fazer frente aos efeitos das crises já mencionadas (Ásia, em 1997, e Rússia em 1998) e também para ajustar a economia ao novo regime de câmbio flutuante (1999).

Após atingir o piso de 14% (2000), a relação reservas/dívida voltou a crescer e atingiu 18% ao final do governo FHC.

Os oito anos da era FHC foram marcados por 4 crises internacionais. Ainda assim, a economia cresceu a taxas muito próximas dos países comparáveis e sustentou uma inflação cadente, que apenas voltou a ficar pressionada na iminência da eleição de Luiz Inácio Lula da Silva, do PT.

A candidata Dilma resolveu fantasiar sobre o quadro econômico do governo FHC. Insiste em repetir que o PSDB teria “quebrado o país em três ocasiões”, quando os dados são muito claros. Até as pedras sabem, presidente Dilma, que o país só pôde crescer mais de 4%, no governo Lula, porque FHC deixou uma herança bendita:

– a consolidação da estabilização monetária;

– a abertura da economia;

– o ajuste das contas públicas;

– as privatizações;

– a atração de investimentos externos para fins produtivos;

– a promulgação da Lei de Responsabilidade Fiscal;

– o saneamento do sistema financeiro (com o Proer);

– a renegociação da dívida dos estados;

– a liquidação dos bancos estaduais;

– a criação do Bolsa Escola, que já atendia a 22 milhões de pessoas;

– a instituição do regime de metas para a inflação e tantos avanços na área econômica e da área social que poderíamos continuar a listar.

Uma árvore foi plantada pelo presidente Fernando Henrique Cardoso e pelo PSDB. Era frondosa e dava muitos frutos. O presidente Lula soube colhê-los, rapidamente, mas a presidente Dilma preferiu não mais cultivá-la e, pior, nada plantou em seu lugar.

Agora, às vésperas das eleições, quer convencer os brasileiros de que a tomada de empréstimos, no governo FHC, junto ao FMI, seria a evidência definitiva de que o país teria quebrado naquele período. A verdade que qualquer economista que se preze conhece (Dilma, infelizmente, mostra que não honra o seu diploma de economista) é uma  só: nenhum país consegue, por três vezes (1999 – crise cambial; 2001 – crise argentina e 2002 – risco-país explodindo em razão da iminência da eleição de Lula), acesso a empréstimos em condições tão boas, como o governo FHC conseguiu, se não for uma economia sólida, com condições de pagar o financiamento e fundamentos macroeconômicos de boa qualidade.

Desfeita a mentira, é preciso olhar para frente.

O Brasil pode voltar à rota do crescimento e da expansão da igualdade de oportunidades, sim, mas, para isso, terá de promover a mudança que só pode erigir do voto popular, que só pode encontrar lugar na esteira de um uníssono “não” ao grupo que, há 12 anos, agarrou-se ao poder e abandonou seus antigos ideais.

Chegou a hora de mudar!

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5 thoughts on “A história de êxito que Dilma quer destruir

  1. Ficou faltando colocar os dados de 2003 a 2014 para os gráficos. O Investimento Direto Estrangeiro, por exemplo, aumentou drasticamente nesse período.

    • Caso não tenha percebido Sr. Armínio, é uma analise da economia em um determinado período, e de sua evolução , mostrar dados após este período seria no mínimo irracional , fazendo uma comparação não muito apropriada , é comparar dois fazendeiros da mesma terra , o primeiro limpou, preparou a terra e semeou e irrigou , o segundo colheu os frutos, pode até parecer que o segundo é o melhor, mas a colheita foi boa, por conta do trabalho do primeiro.

  2. Excelente o seu artigo. Isso sem falar em outras tantas medidas que permitiram o Brasil entrar realmente no ciclo bendito, como a Legislação Antitrust em 1994.

    Abraços

  3. Irrepreensível síntese da efetiva realidade dos fatos alusivos à política econômica por ocasião da gestão do Estadista Fernando Henrique Cardoso.
    Parabéns!

  4. A Dilma não terminou o curso de Economia.
    O fato e que na época participar de atividades classificadas como clandestinas e contra a ordem publica levavam a punição de não receber o diploma universitário.
    Estudar e se submeter a provas levam a humildade.
    FHC passou pelo longo caminho , estudou, fez o seu doutorado, publicou artigos e livros, enfim aprendeu muito .
    A Dilma trabalha no emocional e não gosta de banca de qualificação , ou qualquer tipo de raciocínio arduamente construído através de fatos.
    O outro lado da Dilma e que ela se emocionou ao receber o titulo de aluna modelo e foi questionado o diploma pendente . O diploma foi concedido não pelos méritos mas pelos gritos e palmas da plateia.
    A Dilma gostou e passou a receber os títulos de PhD acredito que ate mesmo pelo SEDEX.
    Em viagens após tantos estímulos a Dilma passou a dar palestras a lideres Europeus sobre seguridade social.
    Os fatos não interessam o que interessa e ver no IBOPE quem esta com a razão.
    A inteligência e limitada aos fatos e ao tempo, mas a burrice e ilimitada pois ela não se prende a nada.
    E o lado nefasto da mente , a turba , a destruição , as guerras.

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