Inflação de carnes a 16,55%

A divulgação do IPCA de junho, pelo IBGE, trouxe de volta a discussão sobre o estouro do teto da meta fixada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Quando observamos a variação dos preços no acumulado em 12 meses, constatamos uma inflação de 6,52%, isto é, já acima do patamar de 6,50%, teto da meta (que vai de 2,5% a 6,5%, com o centro a 4,5%).

O dado mais preocupante, no entanto, está na desagregação das informações mais gerais, que revela uma preocupante evolução de preços de itens básicos, como as carnes bovinas.

Os dados mostram que a inflação geral foi de 6,52%, a inflação de alimentação e bebidas totalizou 7,50% e a variação apenas do item “carnes” foi de 16,55% (ver quadro abaixo).

Na abertura deste item, vemos o coxão mole com preços crescendo a 21,03%, no acumulado em 12 meses, a pá (ou paleta) com inflação de 19,02%, o preço do lagarto comum com aumento de 18,66%, a carne de carneiro a 18,41%, a costela bovina a 17,04%, o contrafilé a 16,94% e o coxão duro a 16,75%.

Tabela_inflação

Este é apenas um item selecionado do IPCA, mas é um item da maior relevância para os consumidores. A pergunta que o leitor deve se fazer é a seguinte: o meu salário cresceu como o preço das carnes no período dos últimos 12 meses? A resposta, para a grande maioria, será negativa. Basta observar a evolução da renda média dos trabalhadores.

A renda média dos trabalhadores cresceu apenas 8,89% (comparação do dado de abril em relação ao mesmo mês de 2013), enquanto os preços das carnes evoluiu 16,55%.

É por esse motivo que a sensação de todos nós, quando vamos ao mercado, é de que estamos mais pobres, com menos dinheiro. Ocorre que itens básicos da cesta do consumidor típico brasileiro estão crescendo, como se vê, a uma taxa equivalente a cerca de 2 vezes o crescimento dos salários.

Este é peso da inflação para o bolso do brasileiro. Enquanto continuarmos a sustentar uma política de pouco estímulo à oferta, à produção, à produtividade, à inovação, continuaremos a ter uma demanda que, quando estimulada, produz inflação.

Não existe mágica para solucionar esse descompasso entre a sede de consumo e o péssimo desempenho da oferta. Quando o ajuste não ocorre por boas políticas econômicas, ele vem pelo caminho mais duro – INFLAÇÃO.

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