Haverá segundo turno com folga

Os dados da pesquisa Datafolha são mais positivos para a oposição do que para a presidente Dilma. Ainda que a presidente tenha passado de 34% para 38%, nas intenções de voto, suas chances de vencer em primeiro turno são muito baixas e, passando para o segundo turno, encontrará dificuldades para derrotar seus oponentes, como mostram os números da pesquisa, que aponta Dilma com 46% e Aécio Neves com 39%. Aumenta a probabilidade de um segundo turno disputado.

1. Governo mal avaliado

Hoje, 64% dos eleitores avaliam o governo como ruim, péssimo ou regular. Há cerca de um ano, antes das manifestações, esse percentual correspondia a 34%. Os que avaliam o governo como ótimo ou bom representavam 65% e, hoje, representam apenas 35% (gráfico).

Gráfico: Evolução da avaliação do governo da presidente Dilma

Gráfico

Fonte: Datafolha. Elaboração própria.

Há um mês, as intenções de voto dos opositores totalizavam 32% (contra 34% de Dilma), no prmeir e, hoje, os opositores somam 38% (percentual idêntico ao da presidente).  Isso mostra que a fatia do eleitorado que já manifesta suas intenções está dividida, obviamente, e que há uma provável tendência de mudança à vista.

É preciso recordar que, dos 24% restantes, 11 p.p. costumam corresponder à cunha dos brancos e nulos, de modo que há, ainda, 13% de indecisos, muito provavelmente, que deverão tomar sua decisão ao longo da campanha, com a maior proximidade da data do pleito.

2. Como esses eleitores vão se distribuir?

Um exercício simples de distribuição destes 13% entre Dilma e os demais mostra que, tomando por base o percentual de 75% que desejam mudança, segundo o Datafolha, haverá segundo turno com folga (tabela).

Tabela: Intenções de voto e cenário com distribuição dos indecisos – 75% (oposição) e 25% (situação)

tabela tabela

Fonte: Datafolha. Elaboração própria.

Esse exercício simples mostra que a eleição caminhará, com folga, para o segundo turno. Dilma – quando distribuído o percentual dos indecisos – vai de 38% para 41,3%, enquanto os “demais” passam de 38% para 47,8%. Evidentemente, o cenário pressupõe que os 75% que desejam mudança vão depositar sua confiança e seu voto em algum dos candidatos da oposição.

3. Oposição ganha força na esteira da deterioração da economia

Até o momento, o candidato que deverá recolher a maior fatia desses votos é Aécio Neves, do PSDB, que está em segundo lugar nas intenções de voto. Aécio passou por expressivo crescimento, nos últimos meses, de 16% para 20%, entre fevereiro e junho, enquanto Dilma caiu de 44% a 38% no mesmo período, ainda que tenha se recuperado no último mês, refletindo o maior otimismo dos brasileiros com a Copa.

O resultado da eleição dependerá, a meu ver, de como os candidatos da oposição capitalizarão a insatisfação dos brasileiros, que não é só revelada pelos 75% que querem mudança, mas pelas expectativas negativas alimentadas pelos eleitores em relação aos principais temas que afetam o seu bolso. Segundo o Datafolha, 58% dos eleitores acham que a inflação vai aumentar e 43% julgam que o desemprego vai crescer.

De todo modo, fica cada vez mais óbvio que a eleição caminhará para um disputado segundo turno.

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