50 anos do golpe: radicalizar a democracia

Relembrar os 50 anos do golpe de 64 é uma forma de manter viva a história de nosso país e de manter afastados os sentimentos de aversão à democracia, à atividade política e ao Estado Democrático de Direito.

Muitos alimentam um sentimento de repulsa à política e, o que é mais grave, de não identificação com o ideário da democracia, ao criticar a corrupção, a ineficácia do Estado e a inépcia da política representativa. Estão corretos, em muitos casos, na identificação dos problemas, mas não no diagnóstico de suas causas. O problema não está nas críticas, mas em como elas conduzem, automaticamente, à atitude de apontar o dedo para a política e para a democracia, como se estas fossem a “doença” a ser combatida, quando são a solução dos problemas, o “remédio” a ser buscado, a raiz  a ser novamente procurada por toda a sociedade, conjuntamente, para que se alcance um novo norte para a nação.

Não há iluminados à espera de serem chamados para ocupar os cargos diretivos da nação e que, de uma hora para outra, vão nos guiar rumo à solução mágica do crescimento econômico, da prosperidade e do sucesso. Não há. Há, sim, o árduo caminho da construção coletiva do  Estado, que se faz pela atividade política, sob a égide da democracia e de suas instituições. É difícil a tarefa de mobilizar pessoas em  torno de boas ideias (e não apenas em torno de um projeto de poder), mas este é o desafio central. A alternativa será sempre algo similar ao obscuro caminho percorrido, por 21 anos, a partir de 1964, sob a liderança dos militares.

A transição para o início do processo de construção de um Brasil moderno e democrático, que se deu às custas das vidas de milhares de brasileiros e brasileiras, do sofrimento daqueles que foram torturados nos porões da ditadura, da angústia e tristeza de seus familiares e da luta dos que não cederam diante das monstruosidades de um regime autoritário, não tem volta. A democracia é o caminho que escolhemos e que nunca mais poderá ser questionado, se formos capazes de preservar a memória e a história e de transmiti-la aos nossos filhos e aos nossos netos. Este é um caminho que precisa ser acelerado para que o Brasil possa rumar na direção da expansão mais rápida do bem-estar social. Isso é radicalizar a democracia. Isso é transformar verdadeiramente o Brasil.

As duas primeiras acepções para o termo “radical”, no dicionário Aurélio, são: “1) relativo à raiz e 2) fundamental, básico.” FHC tem repetido, em suas entrevistas e discursos mais recentes, que é preciso radicalizar a democracia, no Brasil, ouvir e aprender com a sociedade, repensar o papel do Estado e da política, que tem tido dificuldades crescentes em dar respostas às demandas do povo, de fato.

Enquanto crescíamos, na esteira do forte aumento dos preços das commodities, até 2011, a uma média de 4,0% a 4,5% ao ano, a renda real e o emprego se expandiam com força e o Estado conseguia arrecadar receitas suficientes para continuar a ofertar políticas públicas e a promover a redistribuição de renda. Agora, diante de um novo quadro, em que são maiores as limitações no campo econômico, a política precisará dar novas respostas à sociedade. Essa é a beleza da democracia, porque não se trata de um processo estático, mas  de algo dinâmico, onde a decisão do voto é fundamental, onde as manifestações de rua fazem a diferença, onde a opinião livre pode exercer influência e ser influenciada, onde os partidos veem-se obrigados a repensar o seu papel, diante de uma sociedade cada vez mais conectada nas redes sociais, com menos tempo para reuniões presenciais, para longas discussões cheias de burocracia  e formalidades, mas, ao mesmo tempo, ávida por dar o seu “pitaco” nos rumos de “tudo” que acontece à sua volta.

Radicalizar a democracia significa ir à sua raiz, aos seus fundamentos e torná-la viva em todos os processos decisórios e em todos os âmbitos da vida cotidiana dos cidadãos. Enquanto parte da própria sociedade, induzida por formadores de opinião, que chegam até a marchar “pela família”, como em 64, entende que está na política e na democracia a nossa debilidade maior, a verdade é que nelas está o nosso caminho, a nossa luta, o nosso futuro, a nossa esperança.

Viva a liberdade, o contraditório, o debate e a livre opinião! Que possamos caminhar, sob a luz maior da verdade, da justiça e do fortalecimento das instituições democráticas, na direção da construção de um Brasil com mais justiça social e crescimento econômico!

Diretas Já: Leonel Brizola, Mário Covas, Ulysses Guimarães, Mora Guimarães, Tancredo Neves, Lucy Montoro, André Franco Montoro, Fernando Henrique Cardoso.
Conheça mais sobre a história do Brasil neste site organizado pelo jornalista Paulo Markun:
BRADO RETUMBANTE
 
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