Câmbio e balança comercial (Valor Econômico – 04/02/14)

04/02/2014

Com câmbio e sem plataforma, importações recuariam 1,6%

Por Rodrigo Pedroso e Marta Watanabe | De São Paulo

Regis Filho/Valor / Regis Filho/Valor

Felipe Salto, da Tendências: previsão de superávit de US$ 8,2 bilhões no ano

Descontada a compra de uma plataforma de petróleo móvel de US$ 379 milhões da China, as importações em janeiro caíram 1,6% – na conta pela média diária – em vez de crescimento de 0,4% ante janeiro de 2013 divulgado ontem pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic). A conta mais “limpa” mostra que a desvalorização cambial ocorrida ao longo do segundo semestre do ano passado está desacelerando as importações do país, segundo analistas.

Também sem a plataforma, o déficit de janeiro seria de US$ 3,68 bilhões, menor do que o saldo negativo de US$ 4,04 bilhões registrado em janeiro do ano passado. A desaceleração das importações começou a aparecer ao longo do quarto trimestre do ano passado. Em outubro, salienta Felipe Salto, economista da Tendências Consultoria, as importações avançaram 9,6% ante o mesmo mês do ano anterior. Em novembro, ainda que menor, registrou-se crescimento alto (7,2%) de compras. No mês seguinte, os desembarques encolheram 1% na mesma comparação.

“O dólar mais caro diminui o poder de compra dos brasileiros, com os efeitos começando a aparecerem no nível de importação da balança comercial”, afirma.

Persistindo o patamar cambial atual, a tendência é que as exportações tenham leve melhora nos próximos meses, estabilizando o déficit em transações correntes registrado em 2013. A Tendências estimava déficit de US$ 4,2 bilhões para janeiro, mas manteve a previsão de superávit de US$ 8,2 bilhões para a balança comercial em 2014.

A expectativa do dólar mais caro teria afetado também a importação de alguns bens de consumo, segundo José Augusto de Castro, presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB). Castro acredita que os importadores, prevendo maior desvalorização do real, podem estar antecipando compras. As compras de móveis e outros equipamentos para casa cresceram 46,1% ante janeiro de 2013, e as importações de máquinas e aparelhos para uso doméstico aumentaram 48,2%.

São produtos que tradicionalmente possuem demanda maior no quarto trimestre em razão das compras de fim de ano. “É uma alta forte e atípica para janeiro. Outro produto que influenciou no déficit alto em janeiro foi o nível de importação do petróleo bruto”, diz.

Mesmo com queda de 10,5% em relação a janeiro de 2013, a média diária da importação do óleo bruto foi de US$ 49,4 milhões, considerada alta para o mês. Há um ano, os dados dos desembarques do produto estavam influenciados pelos registros atrasados referentes a compras de 2012.

Salto, por outro lado, vê no recuo de 22% da importação de óleos e combustíveis sinal de que neste ano a balança de petróleo e derivados possa ter déficit menor do que no ano passado. “Mas ainda é preciso esperar alguns meses para ver se a tendência vai se concretizar.”

Já a queda de 13,7% das exportações para a Argentina em janeiro é efeito da medida adotada pela equipe de política econômica do país, que espera restringir em 27,5% as importações de carros de com preços médios e altos neste ano. Principal item da pauta de exportação brasileira para a Argentina, as exportações nacionais de automóveis ao exterior encolheram 27,4% no primeiro mês do ano.

Pesquisador do Centro de Estudos de Estratégias de Desenvolvimento da Uerj (Cedes /Uerj), Rodrigo Branco lembra que janeiro costuma apresentar déficit em função de reposição de estoques, que motiva as importações. “Ao mesmo tempo as exportações de básicos baseadas nas safras agrícolas ainda não começaram”, diz.

O resultado do mês veio “dentro do esperado”, mas Branco também chama a atenção para o baixo ritmo da importação. “A desvalorização do câmbio está fazendo a diferença, além uma expectativa de menor demanda por conta do baixo crescimento econômico, o que também deve afetar os desembarques neste ano”, afirma Branco.

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