Oposição de verdade ainda tem nome (e não é PSB)

Os problemas do Brasil atual são conhecidos: crescimento baixo, inflação elevada, desigualdade que parou de diminuir, educação estagnada e investimentos públicos e privados que não saem do lugar há anos. Quem será capaz de formular uma estratégia efetivamente nova, incorporando as conquistas do passado, retomando valores e compromissos que levaram ao progresso e abandonando o que de ruim foi feito nos últimos anos, ampliando a igualdade de oportunidades e promovendo a verdadeira justiça social?

A novidade das eleições que se aproximam é que há duas opções viáveis àqueles que pretendem votar em alternativas ao petismo: uma concebida no seio do lulismo, com a dupla Eduardo Campos-Marina Silva e outra, herdeira da era FHC, com Aécio Neves-José Serra. A partir dessas duas bases, serão erguidas duas opções com chances reais de vitória sobre o PT. Uma, necessariamente, mais próxima do que foram os últimos 10 anos, com Lula e Dilma; lembrando que Marina foi petista e ministra do governo Lula, enquanto Campos e seu partido estavam debaixo da asa do PT até ontem. A outra, mais próxima do que foi o governo FHC, com Aécio, mas ambas com algo de novo a apresentar. Será uma eleição disputada e, certamente, decidida em segundo turno. Ao  PSB e ao PSDB interessa lutar contra o PT, e não travar uma infrutífera luta no campo da oposição. Essa tendência é que levará a disputa ao segundo turno.

Aquele que melhor mostrar as debilidades do atual governo e apresentar-se como alternativa robusta para resolver os desafios do nosso tempo, isto é, para levar o país ao progresso, à possibilidade de ampliar o bem-estar social e de gerar oportunidades iguais para todos, devolvendo à nação a capacidade de crescer e distribuir renda, terá maiores chances de ir ao segundo turno e disputar a Presidência contra o petismo. Tenho para mim que, entre a dupla Marina-Campos e a plataforma tucana, liderada por Aécio, Serra e Fernando Henrique Cardoso, a segunda é, naturalmente, mais próxima do que se pode chamar de oposição ao PT.

Eduardo Campos estava, até ontem, abraçado ao projeto de poder de Lula e do PT. Marina Silva traz consigo maior legitimidade para hastear a bandeira do “novo”, é verdade, bem como para pleitear a alcunha de opositora, mas, depois de ter desistido do vôo solo e abraçado a plataforma do PSB de Campos, entendo que ficará diminuto o papel da Rede e do discurso da “nova política”. O discurso alternativo terá de ser construído a partir do cordão umbilical remanescente, que liga a história de Marina e de Campos ao ex-presidente Lula, principalmente, mas, sem dúvida, à plataforma política que hoje nos governa. Será mais difícil, para Marina, falar em novidade, sendo agora militante do PSB. Melhor teria sido lançar-se por um partido novo. A Rede fracassou, mas o PEN lhe ofereceu espaço. Ela escolheu o PSB. É sintomático.

Se a população quer mudança, se ela deseja algo de novo, que seja capaz de opor-se ao atual modelo de desenvolvimento centrado no Estado, e não nas pessoas, certamente, ainda encontrará melhor alternativa no PSDB.

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