Uma trincheira para Marina

imagesA lógica, segundo o ex-ministro e ex-deputado federal Antônio Delfim Netto, é a pior estratégia para argumentar no Congresso. Talvez seja, também, a pior estratégia para se pensar a política. Marina defendeu o novo. O novo não foi avalizado pela Justiça. Marina só pode se candidatar por um partido velho. Logo, se Marina se candidatar terá perdido a legitimidade conquistada.

Ora, Marina Silva é um exemplo a ser seguido, que inspira confiança, que tem ideias (a serem aprimoradas e transformadas em projetos e programas para o país), valores e história a apresentar. Marina não chegou hoje na política. Lutou ao lado de Chico Mendes, esteve sempre ao lado dos desvalidos e hasteou, quando esteve no governo, bandeiras importantes em defesa do meio ambiente e da sustentabilidade.

Não venham, agora, aves de rapina, querer submetê-la seus torpes juízos de valor.

Marina e sua Rede têm uma força enorme e um ativo político que não pode ser desperdiçado. Criticá-la, caso decida filiar-se a outro partido, dada a lastimável decisão tomada pela justiça, ontem, de impedir a institucionalização da Rede, é leviano.

Os redistas têm de se reunir e sinalizar um caminho alternativo, um plano B, que seja, sem desistir da Rede e dando abertura para que Marina Silva possa ser candidata em 2014. Tem de partir da Rede e dos seus o aval e o apoiamento necessários para sustentar a continuidade do projeto de Marina pelo novo.

Ao contrário do que as línguas ferinas já disparam nas redes sociais, não seria incoerência o lançamento de uma candidatura por um partido como o PEN – Partido Ecológico Nacional, por exemplo, desde que o tal partido a aceite e abra espaço para a Rede no seu seio. Os redistas de verdade devem apoiá-la e entender que o mais importante é garantir que a voz da Rede esteja presente na eleição presidencial.

A eleição é o maior momento – aliás, o único momento –  em que a “voz das ruas” se manifesta para valer e pode decidir novos rumos para o país. Se a força da Rede se desmanchar no ar, terá sido uma vitória para aqueles que tanto lutaram para que o partido não fosse criado, a começar pelo Partido dos Trabalhadores (PT).

É preciso coerência, sim, da parte dos redistas e de Marina Silva, para que optem por um caminho que drible as injustiças cometidas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O argumento de que a força da Rede e a legitimidade da candidatura de Marina seriam perdidas, se optarem pela luta em uma trincheira alternativa, é pautado numa lógica anti-política, anti-democrática e anti-pluralista.

Que Marina continue a escutar a voz das ruas e que seja bem recebida em uma trincheira para lutar, de maneira firme, por aquilo que acredita.

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