O grande feito da oposição

A convenção tucana do último sábado não passa em branco aos olhos de quem acompanha a política mais de perto. Apesar das análises irrealistas feitas por parte dos jornalistas que se dedicaram ao tema, aparentemente preocupados com o fortalecimento da oposição, o que é de se espantar – já que jornalismo se faz com “a cabeça e não com o fígado”, até onde  sei – os discursos das principais lideranças do PSDB apontaram para a direção correta: união contra o projeto petista e formulação de um novo programa, a partir da liderança de Aécio Neves. Isso ficou muito claro nas palavras de Serra, FHC, Geraldo e todos os outros tucanos. Não ouviu quem não quis. Os desafios só estão começando.

Serra, Alckmin, FHC e Aécio discursaram mostrando que seu partido assumiu o “desafio zero” da coesão interna, da união da oposição para que se capacite a contrapor-se ao projeto econômico e social atualmente empreendido pelo PT. Aécio assume a liderança do partido com a legitimidade necessária para construir o novo programa. De um lado, para resgatar o programa empreendido pelos tucanos, entre 1995 e 2002 e, de  outro, para reunir as ideias que têm sido pregadas pelas principais lideranças de oposição ao longo dos dez anos de governo do PT e, principalmente, para mobilizar a sociedade em torno desses ideais, mostrando um novo caminho possível a ser trilhado.

Política não se faz apenas com palavras, projetos e programas. Política se faz pela força das ideias como motor dos corações e mentes de brasileiros que demandam maior igualdade de oportunidades, mais segurança, saúde e educação. Política se faz pela força de vidas que se unem pela mobilização em torno de diretrizes maiores, de visões de mundo compartilhadas, de um norte a ser buscado. No caso do PSDB, principal partido de oposição do país, trata-se da busca da social-democracia, que pode ser lida, modernamente, como o conjunto de políticas públicas capazes de ordenar o Estado, a sociedade e o mercado sob uma estrutura mais justa, socialmente, mais progressista, economicamente, e que esteja constantemente pautada na igualdade de oportunidades.

A construção de um  Estado republicano, democrático, socialmente justo e que seja capaz de impulsionar a liberdade, a concorrência dos mercados, a inserção do Brasil no mundo e o progresso econômico depende da atividade política. É daí que decorre a importância da oposição, já que a construção política depende do exercício do contraditório, isto é, da oposição, da vigilância, do acompanhamento das ações do governo, da apresentação de alternativas viáveis às ações desenvolvidas pelos políticos que estão no poder.

O PSDB é o partido que legou ao país o controle da hiperinflação. O Brasil viveu picos mensais de inflação de mais de 80%, conforme medida pelo IPCA, e apenas com o Plano Real, através do mecanismo da URV e, posteriormente, da instituição da nova moeda, foi possível “matar o dragão”.

Hoje, a economia nacional vive novos dilemas, com riscos inflacionários, novamente, mas com riscos muito maiores no campo do crescimento econômico, que segue cada vez mais baixo e menos potente. Diante desse dilema – baixo crescimento e inflação elevada – a presidente Dilma Rousseff impõe ao país uma estratégia de fechamento da economia ao mundo, com políticas protecionistas que, supostamente, serviriam para defender a indústria, mas que a ela obrigam custos altíssimos associados à compra de insumos produzidos nacionalmente.

Nossa balança comercial mostra-se cada vez mais frágil, com os números do comércio exterior deteriorando-se a cada resultado. O déficit em conta corrente, em consequência, cresce a olhos vistos, sem que o financiamento acompanhe essa dinâmica no mesmo ritmo, o que nos leva à construção evidente de um problema nas contas externas, com efeitos diretos sobre o nosso modelo de crescimento, que está estritamente baseado em importações, isto é, em poupança externa. Como continuaremos a crescer se não mais houver capital externo que nos deseje financiar? Com poupança doméstica? Qual delas? A das famílias, que só fez diminuir, com as políticas de estímulo irresponsável ao endividamento, ou a do próprio governo, que na verdade é negativa, dado que, há muitos anos, gasta mais do que arrecada?

O país está diante de uma encruzilhada e, na ausência de um programa sério de investimentos, de abertura comercial orientada para o desenvolvimento e para o fortalecimento da indústria, com incorporação de novas tecnologias e ampliação da competitividade e da produtividade, migra para um equilíbrio com taxas mais baixas de crescimento, pouco acima da média  observada nos dois primeiros anos do mandato Rousseff (1,8%).

O grande feito da união e da coesão da oposição não poderia ter chegado em melhor momento. A economia pede novas ideias, novas reflexões, novas diretrizes, novos valores e novas propostas. O país pede crescimento e distribuição de renda sustentáveis ao longo do tempo, e não apenas consumo baseado em expansão do risco externo (déficit em conta corrente atingindo 4,3% do PIB no primeiro trimestre, com financiamentos de boa qualidade correspondendo a apenas pouco mais de 50% desse total). Somente uma nova agenda, baseada na inserção global da economia nacional, de sua ligação efetiva às  demais economias do mundo, poderá ofertar isso ao Brasil e aos brasileiros.

Somente o investimento sério em educação, somente com a recuperação da agenda da reforma gerencial e administrativa do Estado, somente com um sistema tributário mais eficaz, somente com um gasto público mais orientado para o desenvolvimento será possível ter um novo Brasil. Não adianta esperar resultados novos receitando remédios antigos. Não adianta querer mudança se continuarmos a apostar nas mesmas pessoas e nos mesmos projetos errados, que já se mostram esgotados, que já se mostram incapazes de produzir os resultados esperados pela sociedade brasileira.

O partido que construiu o Real, ainda no governo Itamar, pelas mãos de Fernando Henrique Cardoso, que trouxe Pérsio Arida, André Lara Resende e Edmar Bacha para o seio do governo e mostrou que era possível inovar – dar respostas novas a velhos e novos problemas (como a hiperinflação) – é, certamente, o partido com maior probabilidade de reunir, novamente, as forças políticas, sociais e intelectuais necessárias para pensar os desafios do Brasil atual. Sob a liderança de Aécio Neves, com as forças de José Serra, Fernando Henrique Cardoso, Geraldo Alckmin, Aloysio Nunes Ferreira e tantas outras figuras importantes que mostraram seu peso conjunto, neste último sábado, o  PSDB poderá mudar, novamente, o Brasil!

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