Balança, mas não cai?

A preocupação com a evolução das contas externas é procedente. O déficit em conta corrente superou a casa de 4% do PIB, no primeiro trimestre do ano, enquanto os investimentos externos diretos (IED) totalizaram apenas 50% disso, lembrando que o IED é,  no fundo, o capital “bom” que entra para o país para financiar o consumo que necessitamos fazer via ampliação do rombo externo. A deterioração dos fluxos de capital internacional para o país decorre de movimentos exógenos à vontade dos nossos políticos ou dos economistas do governo, mas explica-se, também, pela empreitada pseudo-desenvolvimentista empreendida atualmente pelo governo da presidente Dilma Rousseff que, à guisa de estratégia pró-crescimento, acaba promovendo unicamente a expansão do risco e minando as possibilidades de expansão do produto interno.

A piora da conta corrente tem sido explicada fundamentalmente pela deterioração da balança comercial brasileira, em um movimento de piora das quantidades exportadas e do volume total exportado. Os preços não se recuperam nos ritmos previstos, a balança de petróleo deteriora-se de maneira acelerada, na presença de uma Petrobras cada vez mais dominada por interesses escusos e estratégias alheias ao interesse nacional e aos objetivos da própria empresa, e os produtos manufaturados seguem em deterioração. Em outras palavras, estamos perdendo espaço nas exportações dos produtos básicos, que sustentavam nossa balança comercial, e deixando de criar uma estratégia propulsora da indústria e das exportações líquidas, promovendo, no lugar disso, uma marcha da insensatez rumo ao fechamento cada vez maior da economia doméstica. A premissa é que, para exportar, temos de proteger. Ora, alguém já viu país algum no mundo que exporte sem importar insumos baratos para produzir a custo baixo e depois colocar seus produtos de maneira mais competitiva no mercado internacional?

O gráfico e o quadro a seguir resumem os principais números da evolução (ou involução) d balança comercial brasileira nos primeiros quatro meses do ano, quando comparados ao mesmo período do ano anterior. A deterioração é evidente. Em paralelo ao avanço do déficit em conta corrente, que em 12 meses já se aproxima dos 3% do PIB e também não é mais comportado nos fluxos de IED, nessa apuração (até março/2013), seguimos expandindo as necessidades de financiamento do setor público e demandando ainda mais poupança externa.

Sorrimos diante de uma situação extremamente preocupante, que mereceria respostas rápidas e eficientes por parte de governos minimamente sérios.

Gráfico: Evolução dos saldos comerciais, das exportações e das importações acumuladas em 12 meses entre 2002 e 2013

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Fonte: Secex/MDIC (elaboração – Felipe Salto)

Quadro: Abertura das principais contribuições para a variação dos totais exportados acumulados entre jan-abr/2012 e jan-abr/2013

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Fonte: Secex/MDIC (elaboração – Felipe Salto)

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