Superávit primário tem queda de 33% (Estadão – 01 de maio de 2013)

O Estado de S. Paulo – Eduardo Cucolo e Célia Froufe

Gastos públicos e desonerações derrubam economia do governo para pagar juros da dívida

O aumento dos gastos públicos e as desonerações tributárias derrubaram em 33% a economia do setor público para o pagamento de juros da dívida, o superávit primário consolidado, que abrange União – incluindo as estatais, menos Petrobrás e Eletrobrás- Estados e municípios.

Segundo o Banco Central, o resultado atingiu R$ 30,8 bilhões no primeiro trimestre, o pior resultado desde 2010, quando ficou em R$ 19,1 bilhões. O número do trimestre é equivalente a 2,72% do PIB. Em igual período do ano passado, o resultado estava em 4,45% do PIB. O desempenho de março, com superávit de R$ 3,5 bilhões, também foi o pior resultado para o mês desde 2010, quando houve déficit primário de R$ 158 milhões.

Pelos dados do BC, a maior parte do superávit do mês passado foi gerada pelos governos regionais, que contribuíram com um saldo de R$ 2,143 bilhões. O Governo Central encerrou o período com saldo positivo de R$ 1,059 bilhão, enquanto as estatais tiveram um superávit de R$ 298 milhões.

O comportamento das contas do governo vem sofrendo críticas por se distanciar do que foi posto no papel pela própria equipe da presidente Dilma Rousseff. No Orçamento deste ano, o governo se compromete a economizar R$ 155 9 bilhões, o equivalente a 3,1% do PIB. Mas o ministro da Fazenda, Guido Mantega, admit que, em vez de poupar, vai investir parte deste valor em obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e deixará de receber outra parte por causa dos cortes de impostos seletivos que o governo vem fazendo. Todos esses valores podem ser usados para atingir a meta

Recuperação. O chefe do Departamento Econômico do BC, Tulio Maciel, afirmou que o resultado trimestral reflete desonerações tributárias e a defasagem entre a recuperação econômica e o momento em que isso se transforma em receita para os governos. Segundo ele, uma atividade mais intensa vai se refletir em arrecadação maior nos próximos meses.

Mas, para Felipe Salto, da consultoria Tendências, sem um padrão mínimo de austeridade e responsabilidade fiscal, e na presença de políticas que têm como objetivo a única e exclusiva motivação da demanda a curto prazo, o País tenderá a consolidar-se como uma economia com renda per capita baixa, setor público com peso elevado no PIB e inflação alta. “Os dados do primeiro trimestre, para as contas fiscais, são um sinal claro para o governo de que sua política econômica vai mal.”

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