0,25 p.p.: para mostrar quem manda

O Conselho de Política Monetária (Copom), reuniu-se ontem sob os olhares atentos da sociedade, do mercado e da presidente Dilma. A decisão tomada foi pela elevação da meta-Selic em 0,25 p.p., diante de uma inflação que já superou o teto da meta (6,50%), totalizando 6,59%, pelo IPCA, em março, na variação em 12 meses.

Agora, poder-se-ía pensar, a inflação controlada está garantida. Certo? Errado, seguimos com uma inflação pressionada, com um índice de difusão batendo os 70%, isto é, com uma alta que é generalizada, e não apenas concentrada no aumento de preços do tomate ou do “tomatezinho”, como diz o ex-presidente Lula. Em lugar de promover um programa de ajuste fiscal “que mereça este nome”, como bem definiu o Prof. Yoshiaki Nakano, em um de seus últimos artigos para o Valor Econômico, o governo optou (e continua nesse perigoso caminho) pelo expansionismo fiscal em várias frentes: subsídios excessivos e não transparentes ao BNDES, desonerações mal acabadas e pouco planejadas e expansão real de 7% da despesa total do governo central (dado de fevereiro).

Na presença de um Estado ineficiente, e que cresce pautado nessa ineficiência (note, portanto, que o problema não é crescer, por si só), a política monetária precisa ser contracionista. Fingindo entender e aceitar essa realidade, a presidente Dilma aceitou que o BC aumentasse os juros. Mostrou quem manda. O BC? Não, a Presidência Onipresente e Onisciente, que tudo sabe e tudo vê, que em tudo manda e sobre tudo arbitra, que de tudo entende e com todos os problemas sabe lidar melhor do que ninguém. “Narcizo só ama o que é espelho”. Autossuficientes só amam a si mesmos e àqueles que se submetem ao seu julgamento e às suas veleidades. Mercado? Bobagem… Um bando de especuladores que, agora, vão ter de aprender uma lição. É assim que o governo petista enxerga o mercado.

Dilma, portanto, aceitou apenas em parte que os juros precisavam subir. Aceitou, na verdade, um aumento irrisório, que servirá para jogar um balde d’água fria (ou um copo?) sobre os ânimos exaltados do mercado e dos formadores de opinião, sim, e nada mais.

A dura realidade é que, sem ajuste fiscal, os juros reais ainda estão muito aquém do patamar em que deveriam estar. Dureza? Dureza, mas não tem o que fazer. Não há mágica augustiniana (notem bem, augustiniana e não agostiniana) que resolva, não há “alquimia” fiscal que solucione o problema do bebê dragão que já nos assombra em todas as nossas decisões de consumo, que estão cada vez mais sendo dilapidadas pelo crescimento espantoso do bebezinho aparentemente inofensivo. Contabilidade criativa serve a alguns objetivos de curto prazo, mas, mais cedo ou mais tarde, o dragão nos golpeia mais forte. Poderá ser tarde demais.

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