Papa Francisco: o povo no centro


313318_542324272473923_1754671188_nO Cardeal Bergoglio nos iluminou com um bonito gesto de humildade, antes de ministrar a primeira bênção, já como papa Francisco, inclinando-se diante do povo e pedindo suas orações a Deus em favor da nova missão assumida a partir daquele momento.

Em verdade, o gesto representou um pedido de força, de apoio, de união, de compromisso com o desafio de levar a mensagem de Cristo ao mundo e resgatar as pessoas do ateísmo, da descrença, da desesperança, da falta de valores, da negligência à miríade de males sofridos pelos seres humanos em todo o mundo. A fome, a miséria, as injustiças, o trabalho precário, o descaso das autoridades políticas, a corrupção, a falta de caridade, as guerras, a morte, a tristeza do vazio de boas ideias, de bons sentimentos, de uma missão verdadeiramente inspiradora pela qual lutar.

Enxergo, no papa Francisco, o centro de um novo movimento de mudança para a Igreja Católica. Desde o nome, que reverencia o jesuíta Francisco Xavier, mas que, antes disso, nos remete a Francisco de Assis, passando pelo gesto de humildade, logo nos primeiros minutos do pontificado. Sua história de vida e seu jeito simples de ser também confortam. É um alento ter um líder espiritual modesto, que rejeita a pompa e abraça os pobres e as causas verdadeiras do cristianismo, marcado pelo “amai-vos uns aos outros”. Bergoglio é um homem que anda de metrô e ônibus, que cozinha a própria comida, que dispensa motoristas e carros oficiais. É um jesuíta, um missionário, um evangelizador genuíno à frente da nossa Igreja.

As acusações de sua proximidade com a ditadura devem ser rechaçadas por nós, católicos. É preciso lembrar que o mesmo tipo de falso testemunho fora levantado contra Dom Eugênio Salles, arcebispo do Rio de Janeiro, acusado de apoiar o regime ditatorial no Brasil. Ficou provado, posteriormente, que Dom Eugênio auxiliou os revolucionários e opositores do regime, como tantos outros padres e bispos eminentes da Igreja Católica no Brasil, incluindo Dom Hélder Câmara e Dom Paulo Evaristo Arns.

A escolha do nome “Francisco” é muito oportuna. O espírito de amor, de caridade, de proximidade e compaixão para com os menos favorecidos, os humilhados, os excluídos e a rejeição da ostentação, da pompa e do poder são os eixos que sustentam a grandeza desse nome. Inicia-se uma linhagem nova para um novo tempo, para uma nova Igreja, que não abrirá mão de seus dogmas, mas que se abrirá ao mundo e aos homens e mulheres com um espírito mais acolhedor. É isso que esperamos. Cristo não veio para poucos, veio para todos, veio para humanizar o divino e divinizar o humano, para espalhar as atitudes de perdão e de amor, de rigidez e força na defesa de valores e posições, quando necessário, igualmente.

A entrevista de Leonardo Boff ao jornalista Chico Santos, do Valor Econômico, é muito bonita. Boff nos ajuda a refletir sobre o novo papa como alguém que trará “um novo rosto” para Igreja. Termino esta reflexão reportando a matéria do Valor e desejando que possamos, a cada dia, renovar nossa fé e nossa esperança na construção de um mundo mais justo e fraterno. Que a caridade seja efetivamente uma prática viva e constantemente presente nos nossos cotidianos.

Viva o papa Francisco!

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“Nome escolhido indica que Igreja terá novo rosto, diz Leonardo Boff 

Chico Santos | Do Rio – 14/03/2013 –

Valor Econômico (leia mais no portal do jornal)

Com base na origem do novo papa, na escolha do nome Francisco e na postura do pontífice em sua primeira aparição pública o teólogo e ex-frade franciscano Leonardo Boff, um dos fundadores da teologia da libertação, disse ao ValorPRO, serviço noticioso em tempo real do Valor, que, na sua opinião “a Igreja vai ter um novo rosto porque senão ele não teria escolhido o nome Francisco”. Para Boff, dada a importância de São Francisco de Assis como um símbolo de humildade, fraternidade e de amor aos pobres, “Francisco não é um nome, é um programa”.

Boff, que pediu desligamento do sacerdócio em 1992 sob ameaça de punição, considerou fundamental que ao aparecer pela primeira vez em público como papa, o cardeal argentino Jorge Bergoglio, agora Francisco, tenha, no seu entendimento, dado “centralidade ao povo e não à hierarquia”, deixando que primeiro o povo abençoasse o papa para depois o papa abençoar o povo. Agindo assim, para ele, o papa seguiu “os princípios do Concílio Vaticano II” (1961), conhecido como aquele que liberalizou os princípios conservadores da Igreja Católica.

Sempre se apoiando no simbolismo do nome escolhido pelo novo papa, Boff disse que espera a partir de agora “uma igreja simples, voltada para os pobres, sem espetacularização da fé”. Na sua opinião, as primeiras tarefa de Francisco serão de “resgatar a credibilidade da Igreja”, desgastada por escândalos como o da pedofilia, e resolver os conflitos da Cúria Romana. O teólogo acha também que Francisco deve descentralizar a gestão da Igreja, dando força ao Sínodo dos Bispos (trianual) e respeitando as características locais da Igreja Católica.

De ponto de vista da origem do novo papa, Boff comemorou o fato de pela primeira vez o sumo pontífice dos católicos ser originário do Terceiro Mundo (Argentina). “Já era tempo. O Terceiro Mundo reúne 60% dos católicos, enquanto a Europa responde por apenas 24%”, enfatizou. O teólogo disse que as igrejas “da periferia” adquiriram características próprias e não são mais “igrejas-espelho da Europa”.

Por causa da imagem de simplicidade do novo papa e da perspectiva de opção por um papado simples e não por “uma autoridade faraônica que fica lá em cima”, Boff comparou Francisco a um “João XXIII periférico”, referência ao papa que liderou a Igreja Católica de 1958 a 1963 e foi responsável pela convocação do Concílio Vaticano II.”

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