A beleza da política real

O filme “Lincoln” não inspira comoção pela política idealizada, pelo líder sem máculas, o messias que muitas vezes costumamos entalhar, artificialmente, nos eleitos para assumir o poder delegado pelo povo. Política é coisa dos homens.

É disso que Lincoln nos faz lembrar ao recomendar que os votos dos parlamentares (em favor da Emenda nº 13 à Constituição) fossem trocados por ofertas de cargos em seu governo. Fez isso em prol da libertação dos escravos, em prol da união do país, em prol da liberdade, em prol do objetivo que escolheu: o desafio de sua era, que enxergou, abraçou e solucionou.

Esse belíssimo filme  suplica-nos, portanto, que sejamos capazes de entender, de uma vez  por todas, a verdade: na política, como na vida, não haverá apenas homens e mulheres munidos de espírito público, bondade, fraternidade e solidariedade. Dela, assim, não se deve cobrar a pureza ou a doce beleza imaculada. Deve-se, na realidade, cobrar a capacidade de gerar os resultados que apenas ela é capaz de produzir.

Política é a arte de articular interesses rumo à mudança que se pretende promover em benefício da coletividade. Política é a arte de não se deixar devorar pelo poder, mas, sim, de utilizá-lo em benefício dos grandes objetivos, criando e conservando, para isso, relações de lealdade e compromisso, alicerce dos grandes feitos.

Essa é a política que o filme nos apresenta. Essa é a política sem a máscara do idealismo barato, mas  vestida da cabeça aos pés com um realismo que, por vezes, incomoda, leva ao asco, ao desinteresse, à crítica feroz, própria dos que não enxergam a si mesmos nos representantes que elegeram para conduzir os rumos de sua vida e do seu país.

Assistam “Lincoln” pela beleza da política real que contém.

2 thoughts on “A beleza da política real

  1. Então o PT teria razão em ter criado o mensalão se fosse mesmo uma forma de financiamento de campanha para eles se perpetuarem no poder – e ir até o fim com a agenda ‘social’ q eles defendem?

    • Evidente que não. Meu post apenas atenta para o fato de que os caminhos da política nem sempre são os mais racionais ou os mais puros. Estava em jogo o fim da escravidão, no governo Lincoln. No governo Lula, o que estava em jogo? E mais: onde há paralelo entre o que ocorreu sob Lincoln e o mensalão do PT? Não caiamos no erro de colocar tudo e todos no mesmo balaio. Abs, Felipe Salto.

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