Inflação: só um pouquinho a mais não faz mal?

O IPC-Fipe da segunda quadrissemana de janeiro apresentou variação de +0,96%. Se essa dinâmica persistir até o fim do mês, teremos iniciado o ano com os preços médios da economia evoluindo em quase +1%. No mesmo período de 2012, o índice apresentara variação de +0,79% e, há duas divulgações, a variação era de +0,78%. Se olharmos apenas o componente do índice que mede as variações de preços dos itens relacionados à alimentação, veremos algo ainda mais preocupante: +2,07%. Os valores anteriores, respectivamente, nos dois momentos que selecionei acima, eram de 1,71% e 1,40%.

Brincando com fogo

Será que vale a pena produzir “um pouquinho a mais de inflação” em prol de uma promessa vaga e mal fundamentada de crescimento? A história nos dá a resposta.

O país saboreou, até julho de 1994, quando foi concebido o Plano Real, ainda no governo Itamar, diversos períodos marcados pelo gosto amargo da convivência com esse tipo de pensamento retrógrado. Entendia-se que o crescimento econômico seria resultado de uma sequência bem coordenada de apertos de botões de dentro do gabinete do Ministério da Fazenda. Não teria nada a ver com a produtividade dos fatores de produção. Educação nem passava pelo conjunto de políticas pró-crescimento. Bom mesmo era controlar.

A política dos botões entre quatro paredes

Controle de preços, controle do câmbio, controle dos juros, controle da matriz de insumo-produto, controle da produção, controle das importações e por aí vai…

Qualquer semelhança com o que vem ocorrendo, assustadoramente, sob o governo da presidente Dilma Rousseff, não é mera coincidência. Dilma é economista heterodoxa, acredita no suposto desenvolvimentismo e, ao que tudo indica, negligencia a importância da execução de políticas transparentes, com instrumentos econômicos adequados para atingir os objetivos definidos pela sociedade e pelo governo.

A farra fiscal denunciada pelos analistas, acusados, há dez anos, de serem instrumentos do capital financeiro, especuladores e que tais, não passará incólume. O controle de preços, com a imposição de postergação de reajustes tarifários aos prefeitos Fernando Haddad (São Paulo) e Eduardo Paes (Rio de Janeiro), sem mencionar as pressões sobre o governador Geraldo Alckmin (São Paulo) para evitar reajuste na tarifa do metrô, igualmente será punido pela sociedade. Uma poeirinha até pode ser escondida sob o tapete da sala, mas um elefante deste porte…

De ilusão também se vive

Um pouquinho a mais de inflação faz mal, sim, e o povo brasileiro sabe disso. Se o governo optar por esse caminho e continuar a produzir a espúria e indesejável combinação – crescimento econômico baixo e inflação alta – será punido. De ilusão também se vive, sim, mas não por muito tempo.

Essa é a beleza da democracia e, não se iludam, todo brasileiro perceberá, mais cedo ou mais tarde, que seu bolso já está sendo corroído, mais uma vez, pela traça inflacionária.

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