A lição de “NO” à oposição no Brasil

no-logoO filme “NO”, dirigido por Pablo Larraín e  protagonizado por Gael García Bernal, emociona pela verdade contida na mobilização política genuína em favor da mudança.

Na presença do Estado autoritário liderado pelo general Pinochet, o Chile, ao final  da década de 80, sofria pressões internacionais em prol da abertura. Esse processo levou à proposição de um plebiscito pelo próprio governo. A sociedade chilena decidiria se Pinochet continuaria a governar aquele país ou não.

Organizou-se a campanha eleitoral, sob a névoa de incertezas e desesperanças próprias de uma ideia que nascia com o único objetivo de endossar o regime. Um plebiscito lançado para confirmar e legitimar o poder  instituído. Do lado do governo, a economia, o restabelecimento  da ordem e do progresso. Do lado da oposição, a oportunidade única de mobilizar o país contra a  privação de liberdade, as injustiças,  a dor, a morte, a violência, a desigualdade, o autoritarismo e toda sorte de misérias produzidas pelo regime ditatorial.

A solução encontrada pelos idealizadores da desacreditada campanha  do “não” é o que impressiona, pela simplicidade e pela verdade, pela sabedoria em indicar o futuro,  em apontar para o  resultado da mudança que  se pretendia implementar e não para as misérias (ainda que  elas estivessem, como uma espécie de alicerce, sustentando a mobilização).

A lição é atualíssima para o Brasil. Em verdade, quem prega a mudança não pode ter medo de apontar o novo. Quem prega a mudança, quem abraça o desafio da oposição, o desafio de liderar processos que culminem em transformações políticas, sociais e econômicas não pode, jamais, prender-se ao passado, à crítica, a escancarar o que é podre, a apontar o dedo para defeitos e  vicissitudes. Ao menos,  não deve resumir-se a isso. Ninguém se anima olhando o passado ou o presente.

A esperança se constrói  quando se vislumbra a possibilidade de concretizar algo novo, algo melhor, algo que seja forte e verdadeiro, que se possa perceber real desde agora.

Primordialmente, a oposição precisa tomar o risco de apontar para onde ninguém está olhando. Indicar à sociedade que há possibilidade real de construir um caminho diferente daquele que correntemente se apresenta, por razões óbvias,  como o único a ser trilhado. Há tanto por fazer e tão poucos a apontar soluções inovadoras, capazes de equacionar os problemas mais básicos do brasileiros médio.

Que os líderes da oposição, no  Brasil, inspirem-se no vitorioso combate da campanha do “NO”, no  Chile dos anos 80, e assuma o desafio de promover a mudança que queremos ver acontecer.

Que tragam, em seu discurso, uma mensagem simples, verdadeira, bem comunicada e fundamentada, genuína, capaz de levar cada brasileiro a enxergar o quanto é possível ir além!

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