Nacionalismo barato x The Economist

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Muitos não se acostumam à ideia de liberdade. A crítica é parte da vida e deve ser encarada como possibilidade de rever e reconstruir ideias, projetos, ações e decisões. É com esse espírito que o governo brasileiro deveria encarar a matéria da revista “The Economist”, que sugeriu a demissão do Ministro Mantega (leia íntegra aqui).

Não deveria aplaudir, mas também não deveria execrar, como o Ministro Pimentel já está fazendo neste exato momento. Deveria, simplesmente, considerar como uma opinião, dentre muitas outras opiniões importantes a respeito da condução da política macroeconômica no Brasil.

Estamos muito mal, em verdade, e boa parte desse péssimo desempenho está, evidentemente, correlacionado com a equivocada condução da política fiscal e com as decisões diretas tomadas pelos responsáveis pela condução da política macroeconômica no Brasil, isto é, o Banco Central e o Ministério da Fazenda, sob a liderança da Presidência da República.

Negar os fatos e acusar o IBGE de ter errado nas contas do PIB do terceiro trimestre deste ano, como se não estivéssemos crescendo pouco, como se o investimento não estivesse despencando, já foi um grande “tiro no pé”. Acusar, agora, aqueles que criticam o desempenho pífio da economia brasileira de serem bastiões dos interesses sórdidos do mundo desenvolvido – “bandidos calhordas” – seria a ressurreição de um ufanismo que só faz reforçar nossa incompetência, nossa “síndrome de vira-lata”. Somos soberanos, sim, e ponto final. Não é preciso ridicularizar uma revista ou quem quer que seja, retaliando, cooptando, pressionando (métodos bastante utilizados pelo PT e por seus governos), para legitimar a soberania brasileira.

Será que a presidente Dilma cairá no “conto do pseudo-nacionalismo” e cometerá o equívoco de se manifestar “contra” a opinião da “The Economist”? Seria de uma “pequenez sem tamanho”.

O governo não tem de tomar decisão para mostrar quem manda. O governo deve decidir, sempre, orientado pelo bom senso, por questões técnicas, por fatos concretos, bem fundamentados, análises ponderadas, estudos qualificados, e questões políticas, primordialmente, buscando corrigir erros, buscando acertar mais a cada dia.

Que me perdoe a presidente Dilma Rousseff, eleita democraticamente pelo povo brasileiro, a quem devo todo respeito, como cidadão, mas decidir qualquer coisa para mostrar que a “The Economist” seria a representação pura do “diabo neoliberal” e que nós seríamos os alvos representantes do terceiro mundo desenvolvimentista independente e nacionalista configuraria cena patética, que torço para não ser obrigado a assistir.

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