Colaboração a Thaís Herédia, do G1 (04/12/12)

Desafio agora é salvar a entrada de 2013

por Thais Herédia

Faltam pouco mais de 20 dias para acabar o ano. O governo corre contra o tempo para não deixar a peteca cair e o desânimo com a economia se instalar. Para rebater a surpresa negativa do resultado do PIB divulgado na semana passada, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou novas desonerações da folha de pagamento, dessa vez para o setor da construção civil.

O desafio agora é salvar a entrada de 2013, já que para 2012, o tempo já passou. As expectativas vêm sendo postergadas já há bastante tempo. As fichas de um crescimento perto de 4% agora foram todas colocadas no ano que vem. Afinal, a presidente Dilma Rousseff vai entrar em seu terceiro ano de mandato com o pior crescimento dos últimos 3 anos.

O anúncio das medidas para a construção civil chegou no mesmo dia de mais uma notícia implicante na economia. O IBGE divulgou, também nesta terça-feira (04), um crescimento de 0,9% da produção industrial em outubro. Parece até um alívio diante do resultado anterior de queda de 0,6%. Mas o diabo mora nos detalhes.

“Ao todo, a produção industrial expandiu-se em outubro (após um declínio em setembro), mas o crescimento foi mais lento e menos disseminado do que o esperado. O número de hoje reforça nosso viés negativo para o crescimento do PIB no quarto trimestre”, diz o relatório preparado pelos economistas do banco Itaú.

Para o economista Felipe Salto, da consultoria Tendências, a desoneração da folha para a construção civil não vai alterar o quadro de baixo investimento no país, “o principal entrave para a recuperação da economia”.

“As desonerações só recuperam uma parte dos investimentos. O governo tem feito expansionismo fiscal sem foco no investimento. É mais uma vez a estratégia de voo de galinha, porque ainda não se conseguiu destravar as amarras que impedem um aumento do crescimento potencial do PIB”, avalia o economista.

O ministro Mantega avisou que novos estímulos virão ainda esta semana. O arsenal do governo é ilimitado, porque a expansão fiscal, teoricamente, pode ir até aonde o governante quiser. As consequências dessas escolhas são inescapáveis e são suportáveis ou nefastas dependendo da dose aplicada.

Na visão da consultoria americana Medley Advisors, a interpretação dos mercados é de que os investimentos estão sofrendo uma desaceleração estrutural em função da “mão pesada” do governo na economia. Segundo a Medley, que é muito considerada pelos investidores estrangeiros, a administração brasileira não aceita essa visão e por isso não vê necessidade de “mudar sua abordagem”.

“Temos feito a mesma pergunta inúmeras vezes: devemos esperar mais do mesmo ou será que o governo finalmente vai adotar um conjunto diferente de políticas econômicas? Infelizmente, a resposta é mais do mesmo. A administração acredita que o crescimento medíocre do Brasil é devido ao fato de que as medidas já adotadas ainda não terem afetado a economia”, diz o relatório distribuído para clientes.

“A política econômica continuará com os mesmos objetivos: estimular o consumo, protegendo o setor de manufaturados local e fornecendo crédito barato para investimentos. Não haverá medidas para impulsionar os lucros e as margens deprimidas do sector privado”, diz ainda o documento da Medley.

Dessa vez, a máxima de que “só o tempo vai dizer” não trabalha a favor de nenhum dos lados. Até porque, os dois têm se equivocado sobre o ritmo, a intensidade e o momento da recuperação da economia brasileira.

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