Bloco na rua por um novo Brasil

FHCAo colocar o “bloco na rua”, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso não quis apenas apontar o nome do senador Aécio Neves para a disputa presidencial. Pretendeu, em verdade, lançar um movimento corajoso e sagaz de mudança nas expectativas a respeito das ações da oposição, antecipando-se aos movimentos do PT, de um lado, e exigindo das demais lideranças tucanas uma resposta à altura, de outro. Definitivamente, não havia outro caminho. Ou fazia isso logo ou teria de ficar “pregando no deserto”, repetindo as orientações e recomendações que tem feito ao partido, há vários anos, e que podem ser resumidas no mote da “renovação de ideias”. Tudo indica que sua estratégia será vencedora.

A morte do governador Mário Covas deixou um vácuo de liderança político-partidária não preenchido, até hoje, pelas lideranças tucanas. FHC optou por deixar o partido “respirar”, após sua saída do Planalto, e preferiu motivar a que os demais quadros do partido abraçassem a tarefa de construir um novo PSDB, à época fragilizado, porém com um legado a defender, com bandeiras a hastear, com discursos importantes a serem sustentados por um partido que teria de aprender a ser oposição. Sábia decisão que, no entanto, não foi correspondida. O presidente não viu o legado do seu governo ser defendido com o empenho necessário à consolidação do PSDB como alternativa ao projeto que começara a ser empreendido pelo PT. Assistiu ao encastelamento cada vez maior, dentro da estrutura partidária, com um distanciamento evidente das lideranças partidárias em relação à sociedade.

Mas, como se diz: “águas passadas não movem moinho”. Fernando Henrique não se deu por vencido. Resolveu mostrar “como se faz” e, ontem, com um gesto emblemático, tomou as rédeas do PSDB e lançou seu candidato para as próximas eleições presidenciais. Em seu discurso, apontou direções, exaltou a importância da juventude, a necessidade de ouvir a sociedade e de voltar a construir um partido verdadeiramente social-democrata, com bandeiras defensáveis, claras, fáceis de entender, guiadas por valores, pela história, pela inovação e pelo compromisso com a construção de um novo Brasil.

Quanto mais cedo o governador Geraldo Alckmin, que tem hoje o comando do PSDB paulista, posicionar-se a respeito dessa nova orientação partidária, tanto melhor para todos. Alckmin é um político agregador e, como discípulo do governador Mário Covas, sabe da importância, neste momento, de priorizar o fortalecimento do partido em prol da conquista do poder, em 2014, através da formulação colaborativa e unida de um novo projeto para o Brasil.  Da mesma forma, o ex-governador José Serra terá papel fundamental na liderança conjunta desse “PSDB 2.0”.

A luta é pela construção de uma sociedade mais justa, mais livre, onde o Estado funcione, onde as agências reguladoras sejam preservadas dos interesses particulares, onde o mercado seja motivado para trazer investimentos e crescimento, onde o meio ambiente, a sustentabilidade e a igualdade de oportunidades, acima de tudo, passem a compor o cerne de um projeto genuinamente alternativo de poder. Eis o desafio que mobilizará e fortalecerá os oposicionistas ao projeto político, econômico e social do PT no engajamento sério, no compromisso de união por ideias e não apenas por pessoas.

A luta, agora, não é por um nome, A luta é pelo partido. Chegou a hora de acender o farol alto, de sair do casulo, de dar a cara a bater, desde hoje, seguindo o exemplo de Fernando Henrique e engrossando o cordão do bloco que ele corajosamente colocou nas ruas para compor e cantar um novo Brasil.

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