Artigo produzido para o site da juventude do PSDB (02/12/2012)

Por uma nova plataforma de ideias

Por Felipe Salto

Não é por acaso que Marina Silva, à época filiada ao PV, logrou conquistar 20 milhões de votos na campanha pela Presidência da República, em 2010, consolidando-se como uma terceira via de peso aos discursos do PT e do PSDB. A novidade genuína, o discurso voltado a temas que destoavam do discurso tradicional (crescimento, emprego e renda) e a própria figura de Marina nos dão algumas pistas para entender o  recado dado nas urnas pelos brasileiros.

O desafio da oposição está justamente em construir caminhos alternativos, com clareza e profundidade, sem negligenciar a importância de unir lideranças corajosas, dispostas a inovar. Inovação que precisará estar pautada na união de discursos e ações.

Não é verdade que a sustentabilidade, a chamada economia verde ou, simplesmente, o meio ambiente sejam temas que, por si só, “arrebatem nossos corações”. E, como costuma dizer o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, política tem de mobilizar as pessoas pela emoção, pelo sentimento, e não pela razão, apenas.

O Brasil ainda é muito desigual. Nossos níveis de renda por habitante ainda estão muito distantes de atingir níveis adequados para a construção de uma sociedade mais livre e com maior igualdade de oportunidades, conceito iluminado pelas ideias de Amartya Sen, em sua obra “Desenvolvimento como liberdade”. A questão é que a busca desse objetivo não passa apenas pela definição de estratégias de política macroeconômica capazes de motivar o investimento produtivo, gerando maior riqueza, empregos e bem-estar material. É aqui que entram os novos  temas, os novos valores, a nova agenda a ser encampada por aqueles que quiserem assumir a tarefa necessária de fazer oposição.

Aprendemos, com nossa própria história, que o desenvolvimento é um processo complexo, que envolve atores, objetivos e instrumentos múltiplos. O crescimento econômico e a distribuição são metas fundamentais, ainda, para um país como o  Brasil, mas será que sua busca unilateral, isolada, que ignora os desafios postos pela natureza, pela consciência de que vivemos em um mundo de recursos escassos, preciosos dos quais dependemos para seguir em frente, está alinhada aos  novos anseios de nossa sociedade?

O novo governo do PT, sob a direção da presidente Dilma Rousseff, tentou emplacar uma novidade em sua estratégia de promoção do desenvolvimento. Fixou metas para o crescimento, centralizou o gerenciamento da política macroeconômica, a gestão e o controle dos programas de investimento, como  o  PAC, e fez de algo que deveria ser plural, uma obsessão que tem trazido poucos resultados (amargaremos um crescimento econômico, provavelmente, inferior a 1% neste ano).

À guisa de novo, trouxeram mais centralização e poder. Em lugar de promover a democracia, a liberdade, a igualdade de oportunidades, o debate público, a inclusão de novos agentes e percepções no seio da administração pública, o PT e suas lideranças assumiram as rédeas de uma dinâmica muito mais rígida e pouco aberta às críticas e aos novos temas da agenda social, ambiental e política.

É justamente nestes novos campos que a oposição tem de estabelecer os alicerces de seu novo discurso, de seu novo projeto para o país. A liberalização ou descriminalização das drogas, a preservação do meio ambiente aliada à necessidade de ampliar a renda, o crescimento e a distribuição, a sustentabilidade, de maneira mais abrangente, a participação política, a inovação e a gestão em prol da concepção de serviços públicos mais eficazes, a aproximação do Estado e da sociedade, o combate à corrupção e o resgate da ética pública – temas que aguardam a reflexão, que aguardam alguém capaz de os abarcar em um programa efetivamente novo, que permita dar respostas à sociedade dentro do novo paradigma econômico, político e social vivido pelo Brasil e pelo mundo.

Vamos abraçar esse desafio!

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