O desafio do PSDB – II

A oposição não deve, agora, abaixar a cabeça. O golpe desferido pelo PT, ao retomar o controle político da capital paulista, terceiro posto mais importante do país, é emblemático e abala o PSDB. É preciso reconhecer. Este é o momento, no entanto, de repensar estratégias, de abrir caminhos, de renovar ideias e de dar espaço aos novos quadros tucanos. Algo bastante distinto da ideia superficial de “renovação” que vem sendo propagada em meio ao calor do momento de derrota no seio do maior reduto tucano, fruto de interpretações equivocadas das palavras do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que há muito tempo vem alertando para a importância de “fazer oposição”.

Chegou a hora de mirar novos horizontes. Não se trata da “renovação pela renovação”, mas do fortalecimento do partido em torno de novas ideias, com a abertura de espaço, pelas atuais lideranças do PSDB, ao fortalecimento da chamada “segunda geração”, que está pronta para alçar voos maiores.

Ter 25 ou 70 anos não significa muita coisa, por si só. Os “grandes” da história, não só na política, mas nas artes e nas ciências, protagonizaram feitos extraordinários, independentemente da quantidade de fios de cabelo branco. Em artigo para a Folha de S. Paulo (“Tempo”, 10 de setembro de 2012), o Senador Aécio Neves lembrou-nos sobre as acusações sofridas por seu avô, Tancredo Neves, de que já estaria “velho” para os desafios a que se submetia. Dizia ele: “(…) aos 71 anos, Churchill havia vencido uma guerra para a humanidade, enquanto Nero, aos 27, havia posto fogo em Roma”.

Na mesma linha, FHC disse ao Estadão, em 1 de novembro de 2012: “O mais importante são as ideias, não necessariamente novas, mas renovadas para fazer frente às conjunturas.” Não se defende, portanto, o abandono dos grandes políticos do partido, mas a busca de uma estratégia que permita reunir as novas gerações às mais antigas, em torno de um novo projeto, que seja coeso e fruto de reflexão ampla. Nada de aposentadorias e outras bobagens.

Um amigo jornalista disse-me no domingo das eleições: “o PSDB surgiu como um partido de quadros e precisa fortalecer essa ideia, trazer de volta à sociedade a possibilidade de optar por uma alternativa que contemple a capacidade de formulação e de execução de políticas públicas inovadoras.”

Concordo com ele. O PSDB precisa de lideranças fortes, capazes de agregar, de ouvir, de criar oportunidades para o surgimento de novas contribuições, com visões ainda não exploradas pelo partido, que oxigenem suas estruturas e que permitam levar essa nova música aos ouvidos de todos os brasileiros, como uma alternativa à que vem sendo executada e regida, já há 10 anos, pelo Partido dos Trabalhadores. É óbvio e imprescindível, nesse processo, o papel de Fernando Henrique Cardoso, José Serra, Alberto Goldman, Geraldo Alckmin e tantos outros.

Busca-se uma mudança de norte. A renovação, palavra já bastante gasta pelo mau uso que se tem feito dela, vem de baixo para cima e do topo para a base. É via de duas mãos. A sociedade mudou e, com ela, mudou a natureza das respostas que as organizações político-partidárias precisam conceber para os novos problemas que se apresentam e, em muitos casos, para os mesmos problemas não resolvidos.

Novo pelo novo? Não. Aberrações políticas, no pleito de 2012, como Celso Russomanno e outros, já nos mostraram que o novo que não pensa, o novo que não tem ideias, o novo que não tem peso político não leva a nada.

Precisa-se de musculatura, de força, de algo que seja genuinamente novo, mas, ao mesmo tempo, que seja capaz de trazer consigo o peso da história, das lutas passadas do PSDB, dos valores presentes nas bandeiras que hastearam, um dia, as grandes referências dos tucanos: Covas e Montoro. Precisamos de coragem.

Busca-se, primordialmente, um maior enraizamento do partido e de suas ideias na sociedade. Por isso, a importância de ser genuíno, verdadeiro e autêntico. Quem optar por olhar para pesquisas de opinião e repetir o que elas dizem, simplesmente, tenderá a perder mais e mais espaço político.

Política é atividade movida pela capacidade de tocar corações. Como dizia o saudoso governador Montoro: “longe das benesses do poder e próximo ao pulsar das ruas”.

Reflexão, união de gerações, renovação de ideias, resgate de valores e ação! Eis o desafio do PSDB.

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