Um momento histórico no Brasil

A condenação da cúpula petista é resultado do avanço político e institucional pelo qual passou o Brasil. É fruto de anos de luta e de compromissos firmados sob um Estado de Direito Democrático e Republicano, é conquista, portanto, de valor inestimável. O ex-presidente Lula, seu partido, seus asseclas, José Dirceu ou quem quer que seja não tem o direito de transformar uma conquista como essa em oportunidade para lançar dúvidas sobre o Estado brasileiro, sobre as instituições democráticas e sobre um resultado que, em última análise, traz novas esperanças ao povo brasileiro.

A maior parte dos juízes que estão, hoje, na corte suprema do país, foram indicados por um petista. Esse é um fato importantíssimo, que afasta qualquer devaneio ou tentativa de desviar a atenção da questão central: o governo do PT engendrou, liderou e executou um esquema de compra de votos de parlamentares, sob a tutela do ministro da Casa Civil, José Dirceu.

A utilização, pelo PT e pelo ex-presidente Lula, de argumentos de essência conspiratória ou maniqueísta não tem fundamento na realidade dos fatos. Tampouco faz sentido a argumentação que rebate a condenação dos corruptos mensaleiros com comentários sobre o caso mineiro supostamente liderado por Eduardo Azeredo.

A comparação dos dois casos deve, sim, ser feita, mas não para o fim de redimir um e condenar outro ou, principalmente, de colocar todos no mesmo balaio da nebulosidade e da indefinição. A comparação dos casos deve ser feita para que se apure tudo que de errado vem sendo protagonizado pelos partidos e pelos políticos, no Brasil, de maneira a fortalecer as instituições democráticas, o espírito público e a importância da ética na política.

Que se julgue também o mensalão mineiro, mas que não se façam comparações descabidas entre um caso que tomou conta da República, da cúpula do PT e do governo de Luiz Inácio Lula da Silva, a um caso isolado em um diretório estadual do PSDB. É preciso, tão simples quanto isso, “separar o joio do trigo” e evitar a confusão geral que Lula já está a liderar em seus discursos e em suas recomendações aos candidatos petistas que passaram para o segundo turno nas eleições municipais deste ano.

Que o caso sirva de lição para o PT e para toda a sociedade brasileira, incluindo os políticos e os demais partidos. Que avancemos, que sigamos em frente! E que o PT saiba reconhecer seus crimes, seus erros, seus desvios morais, voltando a mirar um projeto de país, aprendendo a respeitar seus adversários e, enfim, contribuindo para a manutenção do equilíbrio democrático. Oxalá!

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