Datafolha: a virada de José Serra

“A entrada do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, na campanha de Serra, bem como a adoção de um discurso mais crítico aos petistas, com a utilização correta do caso do mensalão, nos vídeos e inserções da campanha em São Paulo, podem constituir uma parte importante da estratégia do PSDB. Paralelamente, Serra precisa mostrar mais intensamente e de maneira crível que tem tudo para cumprir o mandato na íntegra.” (Artigo de 12/09 – https://blogdosalto.wordpress.com/2012/09/12/eleicoes-2012-folha-de-s-paulo/)

Os números da pesquisa Datafolha divulgados, hoje, pela Folha de São Paulo, evidenciam um quadro de recuperação da candidatura de José Serra (PSDB), segundo colocado nesta nova sondagem, paralelamente à inflexão na trajetória de crescimento de Fernando Haddad (PT), terceiro colocado na corrida pela prefeitura de São Paulo. Celso Russomanno (PRB) cresceu três pontos, recuperando exatamente o percentual que perdera na última avaliação. Serra mostrou-se capaz de levar à frente a estratégia acima explicitada e, mais do que isso, de começar a convencer o eleitor de sua real disposição de governar sua cidade natal por mais um mandato.

Os resultados do Datafolha podem ser entendidos no bojo do espaço que o caso do mensalão ganhou na imprensa e na opinião pública, em geral. A iminente condenação de importantes líderes do PT e a confirmação de que houve compra de votos, pelo relator do processo, na corte suprema do nosso país, o STF, é algo extremamente grave e que foi corretamente utilizado pela campanha tucana. A relação de Fernando Haddad com José Dirceu foi explicitada, nas inserções do PSDB, na televisão, bem como o presidente Fernando Henrique Cardoso passou a discursar nessa direção, mostrando que estaríamos vivendo um momento de necessária retomada ética, sob risco iminente de eleger aqueles que se dizem “novos”, mas que só fazem traduzir o que há de mais antigo na política nacional.

Serra vem tendo sucesso, também, em mostrar suas realizações (notadamente no programa eleitoral de ontem, 19 de setembro, em que mostrou as promessas de 2004 e 2006 e as realizações dos governos municipal e estadual, quando esteve à frente do Executivo) e em argumentar que quer ser eleito para governar por quatro anos. Neste último ponto, Serra tem indicado que Geraldo Alckmin (PSDB) é candidato natural à sucessão do governo. Além disso, quanto à Presidência da República, ele argumentou que seu destino é São Paulo. O povo, nas urnas, diz isso a ele. Faz todo sentido.

Em resumo, a campanha tucana, em tempo, entrou num bom caminho. O eleitor passou a reconhecer, em Serra, a eficiência, a capacidade de inovar, o peso de sua história e, como eu havia antecipado no meu post “Datafolha é ruim para Haddad e ‘esperançoso’ para Serra” (12/09/12), isso está se materializando em virada de jogo para o tucano. No segundo turno, o desafio será ainda mais importante, de maneira que Celso Russomanno precisará ser revelado como realmente é ao povo paulistano: o “novo”, sim; o “novo Celso Pitta”.

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