[Felipe Salto] Entrevista à Época Negócios (13/09/12)

DESONERAÇÃO EM FOLHA É APENAS RESPIRO PARA EMPRESAS

COMPANHIAS DEVEM APROVEITAR REDUÇÃO DE CUSTO PARA REPOR MARGENS E FAZER A REESTRUTURAÇÃO DE DÍVIDAS ASSUMIDAS EM UM CENÁRIO DE PIB MAIOR

Ave (Foto: Reprodução Internet)
INDÚSTRIA DE ALIMENTOS SERÁ UMA DAS MAIS BENEFICIADAS (FOTO: REPRODUÇÃO INTERNET)

Ao menos à primeira vista é positiva a desoneração dos 20% de contribuição patronal do INSS a partir de janeiro de 2013, substituída pelo percentual de 1% a 2,5% sobre o faturamento. Mas a redução anunciada hoje (13/09) pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, não passa de um respiro para as empresas.

Os especialistas ouvidos por Época NEGÓCIOS apontam que as empresas deverão usar a previsão de sobra de recursos para fazer a manutenção da mão de obra, a recomposição de margem ou a reestruturação de dívidas.

“Se o empresário acreditou, no início do ano, em um PIB acima de 4%, hoje, com a perspectiva otimista de um crescimento de 1,6%, ele está assustado”, diz Osmar Visibelli, professor do curso de Administração, da Universidade Anhembi Morumbi. Para Visibelli, as empresas se programaram para um investimento de acordo com um crescimento projetado pelo governo que não acontecerá. “Não vejo o empresário com esse ímpeto de usar qualquer benefício que não se sabe quanto tempo dura.”

A medida, na opinião do professor, conforme os setores beneficiados, tem mais a função de evitar demissões e fazer o controle inflacionário do que incentivar a competitividade do setor privado. Para ele, a indústria alimentícia será a maior beneficiada, por ter um extenso número de funcionários.

Felipe Salto, economista da Tendências, concorda que a desoneração beneficia a iniciativa privada, mas a medida é insuficiente para promover o desenvolvimento. “O governo está promovendo uma redução de carga tributária, o que é positivo. Mas ela, sozinha, não é suficiente pra aumentar o potencial de crescimento de longo prazo.”

Para Salto, o governo parece sinalizar que tem preferido abrir mão do esforço fiscal para estimular indústria, investimento e consumo. “Falta ainda, contudo, um conjunto de medidas mais estruturais e fortes.”

O economista Otto Nogami, professor de Economia do Insper, tem uma visão mais positiva da desoneração da folha de pagamento. Ele lembra que essa era uma reivindicação antiga dos economistas. “Sempre dissemos que a carga tributária era um grande impeditivo pra competitividade brasileira.”

A medida, segundo Nogami, causa um efeito dominó na economia. À medida em que as empresas repassarem a redução de custo para os preços, há a perspectiva de aumento das vendas e aquecimento no consumo. “Torna as empresas brasileiras inclusive mais competitivas em relação aos importados. Essa desoneração é o início de um processo para que a gente possa rever todo o sistema tributário brasileiro”, diz o professor.

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