Sobre piadas, gestão de incêndios e crescimento econômico

“Mercado reduz projeção de crescimento da economia em 2012 para 1,62%” (Estadão, 10/09/2012)

E não é que a “piada” criticada pelo ministro Guido Mantega se transformou em anedota protagonizada pelo próprio?

Há algum tempo, Mantega classificou como “piada” a projeção de crescimento de 1,5% para o PIB deste ano, conforme elaborada pelo Credit Suisse. Hoje, os dados mostram que piada, mesmo, foi a fixação de metas para o crescimento sem instrumentos para atingi-las. O governo mirava uma expansão de 4,5%, para este ano, e não chegará nem perto disso.

Onde está o equívoco?

O governo adotou uma estratégia de política macroeconômica que poderia ser denominada “estratégia de gestão de incêndios”. Não há planejamento e, pior, as novas diretrizes têm como foco central a promoção de crescimento no curto prazo. O resultado, por vezes, é satisfatório. Na maioria das vezes, entretanto, prova-se verdadeiro fracasso. “Nem só de estímulo à demanda e IPI reduzido vive uma economia, ministro…”

O chamado “tripé macroeconômico” (câmbio flutuante, metas de inflação e responsabilidade fiscal) já vem sendo dilapidado desde o segundo governo Lula. Como se constata pela ação do BC, o regime de câmbio flutuante já foi abandonado, assim como a perseguição do centro da meta de inflação. Restava, mesmo, a perna fiscal, novo alvo das decisões equivocadas da equipe econômica, que tem utilizado as desonerações tributárias, os estímulos via gastos públicos e a maquiagem contábil para sustentar um “pseudo-sistema de metas de superávit primário”.

Ocorre que, na ausência do modelo antigo, que até tinha suas vicissitudes e deficiências, nada foi proposto no lugar. Ao contrário, substituiu-se um modelo que deu certo, por bom tempo – e o critério, aqui, é  conquista e manutenção da estabilidade e do crescimento (ainda que mediano) – por um “modelo de gestão de incêndios”. Não avançamos. Retrocedemos.

Não há políticas públicas com foco no aumento da produtividade e da expansão da infraestrutura. Exceto pelas recentes decisões no âmbito das privatizações e concessões, conforme anunciado pela presidente, nada tem sido feito nestes dois pilares de uma estratégia que se digne chamar “pró-crescimento” ou “desenvolvimentista”.

Até que se reconheça isso, teremos de continuar a nos contentar com as piadas e anedotas do governo, como o PAC, instigante história da carochinha que vem sendo contada desde 2007…

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