Por que apoio José Serra

O voto em José Serra é a opção pela modernização da gestão pública, por um Estado capaz de aprimorar suas funções, provendo bens e serviços públicos com qualidade crescente. O “novo” buscado pela sociedade não é apenas a incorporação de novos quadros aos partidos e aos governos, mas a união de valores, experiência e, principalmente, capacidade de fazer, isto é, capacidade de entrega.

Medicamentos genéricos, Programa Saúde da Família, Bilhete Único para o metrô, expansão e modernização das linhas de metrô e trens (CPTM) e tantos outros programas e projetos pensados por Serra me levam a optar, mais uma vez, pelo apoio à sua candidatura.

A comparação de sua biografia e de sua ação no serviço público, nas esferas federal, estadual e municipal, às de seus principais oponentes permite concluir que dificilmente há melhor político, hoje, para dirigir a mais importante metrópole brasileira. Evidentemente, todos têm defeitos, erram e tomam, eventualmente, decisões equivocadas. No entanto, o mais importante é tomar mais decisões certas do que decisões erradas. Aquilo que realmente importa é ter ou não ter a capacidade de dirigir, de congregar, de reunir e de fazer. Serra faz. Suas ações falam por ele.

Quando da morte da médica sanitarista Zilda Arns, fundadora e líder da Pastoral da Criança, José Serra escreveu um belo texto sobre ela, publicado no começo de 2010 nos jornais Estadão e O Globo. Reporto o artigo, abaixo, e volto em seguida.

Uma mulher e tanto José Serra (O Estado de S. Paulo, 15/01/10) 

É um grande prazer recebê-los aqui, senhor Bispo, dra. Zilda. Já li a pauta que sugeriram para este encontro e que inclui várias questões pendentes entre o ministério e a Pastoral da Criança. Mas, antes de ouvi-los, eu queria perguntar: a senhora estaria disposta, seria possível duplicar o trabalho que a Pastoral vem fazendo com o apoio do Ministério da Saúde? Nós duplicaríamos imediatamente os recursos, bastaria apresentarem um plano de expansão. Acho a ação da Pastoral extraordinária e fundamental para derrubarmos ainda mais a mortalidade infantil no Brasil.

Foi mais ou menos isso o que eu disse aos dois visitantes, numa tarde de abril de 1998, enquanto eles ainda se acomodavam nas poltronas da minha sala, no Ministério da Saúde. Não disfarçaram sua surpresa, esqueceram seus pleitos e aceitaram o desafio na hora. Eu havia assumido o cargo fazia poucos dias e tinha atendido rapidamente a um pedido de audiência do bispo d. Aloysio Penna, responsável pela área da criança na CNBB, e da dra. Zilda Arns, coordenadora da Pastoral da Criança.

Dali em diante, Zilda Arns tornou-se uma parceira de todos os momentos. Recorri a ela muitas vezes, como no caso do Projeto de Emenda Constitucional nº 30, em 2000/01, que definia recursos orçamentários mínimos para a Saúde, nas três esferas de governo. A tramitação no Congresso era difícil, principalmente no Senado. Por isso, pedi ajuda a ela e a seu irmão, d. Paulo Evaristo. E eles acabaram sendo fundamentais na mobilização da opinião pública em favor da aprovação da emenda.

Zilda Arns tinha formação científica e era cristã fervorosa. Com sua crença, tornou mais humana a sua ciência; com a sua ciência, deu impressionante dimensão prática à sua crença. Sempre evidenciou a importância de unir o Brasil num propósito, em vez de dividi-lo. De potencializar o conhecimento com a fé, e a fé com o conhecimento.

Ela era infinitamente paciente. Uma mulher serena nos gestos, no olhar, no sorriso fácil, na delicadeza com que tratava todos, em qualquer circunstância, e na tolerância em relação às ideias das quais divergia e às pessoas que não admirava. Ao mesmo tempo, era disciplinada, organizada e sistemática no trabalho, docemente insistente na defesa de suas crenças e propostas.

Certa vez, quando intensificamos, no Ministério da Saúde, a distribuição de anticoncepcionais e preservativos, a dra. Zilda veio me ver. Sem fazer menção à nossa campanha, mostrou-me uma espécie de terço que, à primeira vista, não identifiquei. Não percebi do que se tratava. Finalmente, depois de alguns rodeios, ela me explicou: era um expediente de custo mínimo, para as mulheres lembrarem seus dias de fertilidade e controlarem suas relações sexuais, evitando gravidez indesejada. Surpreso, tentei argumentar:

– Mas, dona Zilda, o pessoal aqui do ministério não vai aceitar nunca que esse terço seja utilizado em vez de anticoncepcionais.

– Eu sei disso. Mas nada impede que este método seja utilizado como complemento, inclusive com mulheres que não podem tomar anticoncepcionais. Aí as pessoas que são contra vão se convencer, pois os resultados serão muito bons.

Essa era a Zilda Arns. Não brigava, procurava persuadir. A mesma dona Zilda que salvou a vida de centenas de milhares de crianças. Tradicionalmente, o combate à mortalidade infantil no Brasil, do ângulo correto do governo, requer três linhas de ação: expansão das obras de saneamento básico, atenção às gestantes e melhora do atendimento no parto, incluindo a fase pré-natal. No ministério, ratificamos essas linhas, reforçando muito cada um dos seus elos e estendendo-as ao pós-natal, mediante uma expansão considerável das UTIs especializadas por todo o País.

O trabalho da Pastoral da Criança, contudo, era e é de outra natureza, complementar, educativa e psicológica, enfatizando a atenção à família, as condições de higiene e nutrição, acompanhando o desenvolvimento das crianças, em cada casa, em cada bairro. É um trabalho feito por voluntários (hoje, mais de 150 mil) e focalizado nas regiões e municípios mais pobres (cerca de 3,4 mil). Até certo ponto, acaba sendo, também, uma “porta de entrada” dos mais carentes nas redes públicas de Saúde.

Dona Zilda fazia muito mais com muito menos. Perdoem-me o economicismo: a “produtividade” dessas ações era enorme, em termos de queda da mortalidade infantil. Certa vez, estimei que, para obter os resultados do trabalho comandado por ela, uma ação equivalente de governo custaria de oito a dez vezes mais.

O governo já havia percebido a necessidade de atuar junto às famílias. Traduziu-a nos programas de Saúde da Família e de agentes comunitários de Saúde, criados na primeira metade dos anos noventa, mas ainda incipientes, no caso do PSF. Por isso mesmo, multiplicamos por dez, em poucos anos, o número de equipes, de forma mais concentrada nas áreas mais carentes do País. Porém, as ações da Pastoral, integrais, envolventes e próximas das pessoas, mais do que necessárias, continuaram insubstituíveis.

Em 2001, por ideia de um amigo que a admirava, deflagrei uma campanha para a concessão do Prêmio Nobel da Paz à dra. Zilda Arns. Naquele momento, ficou claro o reconhecimento que seu trabalho e seu exemplo mereciam, não só no Brasil como em todo o mundo, pela extensão e representatividade dos apoios que sua indicação recebeu.

Aliás, ela sempre deu prioridade à transmissão e à réplica da experiência brasileira da Pastoral da Criança nos países pobres da América Latina, da Ásia e da África. Foi nessa missão que ela estava no Haiti, o país mais pobre das Américas. E foi dali, dentro de uma Igreja onde pregava, que nos deixou, sob os escombros da tragédia que matou também jovens militares brasileiros, num incrível capricho do destino.

Morreu Dona Zilda. Viva Dona Zilda, na sua obra, no seu exemplo e nos milhares e milhares de crianças cujas vidas ajudou a salvar e a construir.”

Este breve relato da atuação de Serra no Ministério da Saúde e da forma pela qual ouve a sociedade civil organizada e incorpora suas ideias, unindo-se a ela para mudar a vida das pessoas, através de políticas públicas eficazes, como o Programa Saúde da Família, é o exemplo perfeito da nova gestão pública que queremos ver no Brasil. Precisamos de um Estado mais moderno, inovador, criativo, que seja capaz de transformar a vida das pessoas, através de ações co-construídas, isto é, construídas conjuntamente com a sociedade. Queremos um Estado republicano, transparente, eficiente, gerador de mudanças concretas nas nossas vidas. A era das políticas públicas feitas “de cima para baixo” terminou. O cidadão tem de estar no centro do governo, no centro dos debates e das ações. As novas tecnologias de informação têm de ser utilizadas de maneira inteligente para potencializar esta árdua tarefa de fazer da política algo mais próximo da vida cotidiana das pessoas.

A trajetória de vida de José Serra é muito bonita e merece ser destacada nesta campanha. Ele foi ministro, senador, deputado, prefeito e governador, mas, mais do que assumir cargos e responsabilidade, Serra entregou. Entregou resultados, entregou políticas públicas que dão certo, entregou mudanças, entregou novas ideias, entregou bem-estar às pessoas.

Agora, José Serra quer voltar à prefeitura de São Paulo. As pesquisas mostram que está entre aqueles com maior probabilidade de eleição. Não é por acaso.

É preciso lembrar que, quando o PSDB assumiu a prefeitura da capital paulista, em 2005, havia uma situação de verdadeiro caos e de total irresponsabilidade nas contas fiscais. A dívida era de R$ 2 bilhões e havia uma fila de credores herdados da gestão do PT que ocupava todo o saguão principal do prédio da prefeitura.

Serra colocou ordem na casa e, a partir daí, avançou. Realizou políticas novas, sim, mas manteve aquelas que vinham dando certo. O bilhete único, por exemplo, idealizado e implantado pela prefeita Marta Suplicy (PT), foi expandido, em uma parceria importante com o governo do Estado, para o metrô e para a CPTM. Na área da educação, o CEU, também uma boa política da gestão anterior, foi mantida e expandida.

Nas gestões de José Serra e Gilberto Kassab, São Paulo avançou. A sustentabilidade entrou para a agenda da maior cidade do país. Políticas públicas voltadas para os transportes alternativos, como a bicicleta, foram engendradas, com a construção de ciclovias e a criação de uma política de oferta de bicicletas, pela prefeitura, em parceria com o setor privado, para a população paulista (notícia da Folha de S. Paulo sobre o “Bike Sampa”). Abaixo, na foto da mesma reportagem, é possível ter uma ideia de como funciona a política de empréstimos de bicicleta.

Bicicletas do Bike Sampa no lançamento do serviço; mais quatro estações abrem neste sábado (18)

No período Serra-Kassab, investiu-se R$ 1 bilhão em metrô, o que potencializou as obras lideradas pelo governo do Estado. Além disso, os corredores de ônibus foram expandidos e conservados, ao contrário do que gosta de falar o PT. O antigo “Fura-Fila”, da gestão Celso Pitta (PP), depois transformado (ainda que somente no nome) em “Paulistão”, na gestão Marta Suplicy (PT), foi tirado do papel na gestão Serra-Kassab. O expresso Tiradentes, hoje, é uma realidade e funciona a todo vapor.

Serra é um político que faz, que não deixa para amanhã e que será eleito, portanto, para fazer com que São Paulo continue avançando e acelere nas mudanças que precisam ser empreendidas. São Paulo terá mais saúde, educação e transporte. As propostas do candidato evidenciam sua capacidade e de sua equipe em formular novas políticas públicas.

Vale mencionar as Organizações Sociais, na área da saúde, modelo vigente no Hospital Municipal Dr. Moysés Deutsch (M’Boi Mirim), por exemplo, em que se oferece serviço público de primeira qualidade. Este é o jeito bom de governar. Unir setor público, setor privado e sociedade civil em prol da mudança, da inovação, do serviço de boa qualidade voltado à expansão do bem-estar social.

Um outro exemplo da capacidade de José Serra em gerar espaço para mudança é sua atuação no governo de São Paulo. Ao assumir, a capacidade de investimentos do Estado girava em torno de R$ 6 bilhões. Através da venda da Nossa Caixa e de políticas eficazes de modernização do serviço público, Serra ampliou essa capacidade para R$ 20 bilhões. Foi assim que o metrô ganhou mais força, que a linha amarela foi concluída e que os paulistanos assistiram, mais uma vez, aos benefícios diretos proporcionados pelo “jeito Serra de governar”.

É por isso que meu apoio é total a José Serra. Tenho convicção de que São Paulo terá a oportunidade, mais uma vez, de elegê-lo prefeito, para que siga transformando nosso município em um lugar melhor para se viver!

2 thoughts on “Por que apoio José Serra

  1. Engraçado como você se preocupou em atacar o Haddad no facebook e os petistas se preocuparam em atacar o Serra. Confronto baixo, nada de ideias ou debates úteis. Conseguiram o que queriam, aumentar a rejeição de ambos os candidatos. Só esqueceram de uma figura muito conhecida do povo: Russomano. Agora é engolir o resultado de uma briga de “torcida”, não de políticos.

    • É possível que minha argumentação tenha sido mal interpretada, como você coloca. No entanto, em verdade, o que fiz foi buscar informações sobre o período de Haddad no Ministério da Educação e comparar sua gestão à gestão do PSDB, na educação, com Paulo Renato Souza. Agora, neste artigo, que praticamente inaugura meu novo “velho” blog, faço uma defesa detalhada dos motivos pelos quais acredito ser correta a opção pelo Serra. Mais do que isso, registro os motivos pela minha escolha. Abraços e obrigado pelo comentário.

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